Conhecido pelo seu jeito calmo de lidar com os adversários, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) surpreendeu um público em São Carlos, no interior do estado ao sair no grito com o deputado federal Major Olímpio (SD). "Tenha vergonha deputado", gritou Alckmin. A confusão foi registrada durante o evento de entrega de 197 carros para a Polícia Militar da cidade ,na tarde deste sábado (16), quando, no momento do discurso do secretário de Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, o deputado se aproximou do local acompanhado por alguns manifestantes carregando faixas e cartazes e gritando palavras de ordem contra a morte de policiais do estado de São Paulo, atraso no pagamento de salários de servidores públicos e a precariedade ou inexistência de segurança nas escolas públicas paulistas.

O deputado major Olímpio pegou um microfone acoplado a uma caixa de som e começou a atacar o secretário de segurança e o governador, perguntando onde estava o salário da polícia. A partir desse momento, teve início uma discussão acalorada com os correligionários de Geraldo Alckmin como o deputado estadual Roberto Massafera (PSDB), o deputado federal Lobbe Neto (PSDB) e o prefeito de Sao Carlos, Airton Garcia (PSB). Durante a discussão entre os colegas, o governador se manteve calado, mas perdeu a cabeça ao discursar.

"Alguém (aqui) ganha R$ 50 mil do povo de São Paulo?", indagou o governador Geraldo Alckmin. Na sequência, aos berros, ele apontou para o deputado e disse: "Não pode olhar no rosto dos brasileiros de São Paulo. Vergonha!". Em seguida, o governador disse que é o maior interessado em aumentar o salário dos servidores públicos, mas devido à crise, precisa agir com responsabilidade, citando ainda a queda da arrecadação.

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O deputado negou que tenha um salário de R$ 50 mil e se disse surpreso com a postura do governador. "Mostrou desespero", afirmou Major Olímpio. Ele garantiu receber somente uma aposentadoria de R$ 13 mil como major da Polícia Militar, além de seu salário como deputado federal.

Alckmin pode não disputar a presidência da República em 2018

O governador paulista vive um momento decisivo em sua carreira política com virtuais ameaças de não participar da disputa para a presidência da República [VIDEO] nas eleições do ano que vem. Apesar de estar com a imagem arranhada em virtude dos últimos acontecimentos, o senador Aécio Neves não esconde o interesse em se candidatar à presidência e, além disso, existe o fator João Dpria Jr., afiliado político de Alckmin que afirmou apoiar seu padrinho, mas é um dos nomes cotados para representar os tucanos, caso haja alguma mudança até o período das convenções partidárias. Por sua vez, para garantir espaço na disputa interna do partido, Geraldo Alckmin prefere Aécio Neves fora da presidência do PSDB.