Em uma clara sinalização de que os "embates" entre o ministro gilmar mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO] e o procurador-geral e chefe do Ministério Público Federal, Rodrigo Janot, estão longe de terminar, uma nova polêmica foi levantada, a partir da manifestação do magistrado da mais alta Corte do país, em relação a um processo que está sendo movido no estado do Rio de Janeiro, através da Operação Ponto Final, um "braço" da Operação Lava Jato.

Essa força-tarefa que foi deflagrada no Rio, apura um forte escândalo de corrupção que envolve o chamado "rei do ônibus" no estado, o empresário Jacob Barata Filho. Vale ressaltar que as investigações são conduzidas em primeira instância, a partir da sétima Vara Criminal da Justiça Federal do Rio de Janeiro, comandadas pelo juiz federal Marcelo Bretas.

Em referência a esse caso sob investigação, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou à Suprema Corte, uma solicitação de "suspeição" dirigida ao ministro Gilmar Mendes. A alegação do Ministério Público Federal é que Mendes não poderia ter solto o empresário Barata Filho da prisão através de um habeas corpus, já que o ministro teria grande proximidade com a família do investigado e já ter sido, inclusive, padrinho de casamento da filha do empresário do setor de transportes do Rio de Janeiro.

Gilmar Mendes dá 'alfinetada' em Janot

O ministro Gilmar Mendes se manifestou à presidente do Supremo Tribuna Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, ao afirmar que não se considera suspeito em julgar o caso que remete à corrupção no setor de transportes do Rio de Janeiro. Ao se pronunciar sobre o pedido de suspeição feito pelo procurador-geral Rodrigo Janot, Mendes resolveu 'ironizar", ao declamar um poema de Mário Quintana à ministra Cármen Lúcia.

O título do poema é "Poeminho do Contra". As palavras de Mendes, ao recitar o poema à Cármen Lúcia se seguem: "Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho / Eles passarão / Eu passarinho!".

As frequentes "trocas de farpas" entre o ministro Gilmar Mendes e o procurador-geral Rodrigo Janot já se tornaram uma constante no dia a dia do Poder Judiciário. Gilmar Mendes tomou posse como ministro da mais alta Corte do país, no mês de junho do ano de 2002. Ele tem sessenta e dois anos de idade. No Supremo Tribunal Federal (STF), a aposentadoria é considerada compulsória, a partir dos setenta e cinco anos. Nesse caso, o magistrado teria ainda, cerca de treze anos de atuação como magistrado na Corte. Já o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deixa o cargo no próximo domingo (17). Na última quinta-feira, foi a ultima sessão em que o procurador participou como chefe do Ministério Público Federal, no Supremo Tribunal Federal (STF).