A grave crise que assola o Poder Judiciário no país, principalmente entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como o ministro Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que é chefe da Procuradoria e do Ministério Público Federal, atingiu novos patamares e foi responsável pela deflagração de mais um capítulo dessa crise.

Entretanto, a presidente da mais alta Corte do país, ministra Cármen Lucia, se manifestou de modo contundente sobre a atuação do procurador-geral Rodrigo Janot, ao se dirigir ao subprocurador Nicolao Dino. Embora, em um primeiro momento, na tarde da última quarta-feira (13), o Supremo Tribunal Federal (STF) tivesse aceitado os argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República, ao rejeitar por unanimidade dos votos do colegiados dos ministros da Suprema Corte em Plenário, a solicitação da defesa do presidente da República Michel Temer, para que Rodrigo Janot fosse considerado "suspeito" para apresentar denúncias contra o mandatário do país, o dia culminou de não ser totalmente favorável ao procurador-geral da República.

Desavenças entre Cármen Lúcia e Rodrigo Janot

Uma nova polêmica foi levantada quando a ministra Cármen Lúcia chamou o subprocurador Nicolao Dino para uma conversa reservada. A presidente do Supremo Tribunal Federal deixou claro para o representante do Ministério Público Federal, que a Corte considerava a atuação e o papel desempenhado pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, como extremamente "desastrado". Cármen Lúcia foi ainda mais longe ao advertir o subprocurador-geral que o desconforto na Corte já seria algo muito grande e que os magistrados estariam, na verdade, cansados de sobressaltos, em alusão às desavenças ocasionadas entre o chefe do Ministério Público Federal e integrantes do colegiado de ministros.

Um dos principais motivos apresentados pela ministra Cármen Lúcia ao subprocurador-geral, trata-se da forte rejeição adquirida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em razão da maneira com que Rodrigo Janot teria apresentado ao país o áudio que resultou na "implosão" do acordo de colaboração premiada do empresário Joesley Batista.

As palavras de Cármen Lúcia expressavam o descontentamento da Corte, em relação ao fato de o procurador-geral Rodrigo Janot ter dito que o diálogo captado nos áudios insinuavam a participação de um dos ministros membros do Supremo, nas ilicitudes encontradas no conteúdo das gravações.

Porém, a partir da próxima segunda-feira (18), com a posse da nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no comando da instituição do Ministério Público Federal, a ministra Cármen Lúcia espera que as instituições sejam recolocadas num "patamar republicano". A procuradora Raquel Dodge assumirá o posto de procuradora-geral com o grande desafio de eliminar todo o "desgaste" acarretado por Janot, em razão dos embates da Procuradoria com alguns ministros do Supremo.