Nesta última sexta-feira (15), o general do Exército, Hamilton Martins Mourão, deu um discurso em Brasília e falou várias vezes na possibilidade de ter uma intervenção militar no Brasil [VIDEO], já que o Judiciário não está sendo competente para punir e afastar os políticos corruptos que roubam o país. A fala do general veio logo após o procurador-geral da República, Rodrigo Janot [VIDEO], denunciar mais uma vez o presidente Michel Temer por participar de um esquema criminoso de propina e por tentar obstruir a Justiça.

A jurista Janaína Paschoal resolveu comentar esse episódio polêmico, que foi muito criticado por oficiais-generais das Forças Armadas.

De acordo com Janaína, Mourão deu um alerta ao Judiciário e isso é muito bom, pois somente essa instituição pode agir em defesa do povo e a responsabilidade do Judiciário é muito grande.

Janaína ressaltou que o General Mourão não falou em golpe, ele simplesmente comentou da necessidade dessa instituição se mexer e evitar que o Brasil fique refém de políticos mal-intencionados.

Mourão declarou, em sua palestra, que as instituições devem tomar uma atitude, caso isto não aconteça, deverá ocorrer uma ação militar para que seja imposta uma solução.

Tensão nos quartéis

Antonio Mourão recebeu muito apoio do povo e de vários outras personalidades da política, como é o caso de Eduardo Bolsonaro, filho do deputado federal, Jair Bolsonaro.

Os quartéis começaram a ficar um pouco tensos com tudo o que está acontecendo.

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, ficou preocupado com a repercussão do caso e deu uma nota repudiando a atitude de Mourão. Ele afirmou que as Forças Armadas estão subordinadas aos princípios democráticos e aos Poderes constitucionais.

Mesmo demonstrando tranquilidade, o ministro não esperava tamanho endosso às palavras do general. A impressão que se tem, é que Mourão falou aquilo que estava reservado entre seus colegas da ativa e da reserva.

Villas Bôas

O general Eduardo Villas Bôas também se pronunciou e não gostou do que ouviu de Mourão. Ele avisou que não há qualquer possibilidade de intervenção militar. Villas Bôas também falou na mesma linguagem do ministro da Defesa e ressaltou que só haveria um tipo de reação se houvesse uma determinação de um dos Poderes.

Mourão sempre fez críticas á classe política. Ele chegou a ser demitido do Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, após atacar indiretamente a ex-presidente Dilma Rousseff.

Uma coisa preocupa o comandante do Exército Villas Bôas: o povo demonstrou total apoio a Mourão.