O dono da empresa JBS, Joesley Batista, não teria gostado em nada da atitude do Instituto Brasiliense em Direito Público, que resolveu devolver uma quantia doada por Joesley para patrocínio de um seminário em Direito que foi realizado no mês de abril deste ano, em Lisboa, Portugal. O que intriga é que o instituto tem uma forte relação com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes [VIDEO]. A quantia doada por Joesley foi de R$ 650 mil e devidamente devolvida no mês de maio deste ano.

Segundo posicionamento da entidade, o dinheiro havia sido entregue "em cima da hora", fazendo com que fosse incabível ficar com os recursos.

A quantia foi devolvida doze dias após os executivos da JBS firmarem acordo com o Ministério Público Federal (MPF) para realizarem delação premiada. Na época, Joesley mandou dizer ao instituto que não gostou em nada de receber o valor de volta.

Em nota publicada pelo instituto, é citado que a entidade atua em importantes seminários e congressos de Direito e Administração há cerca de vinte anos. O objetivo é reunir importantes profissionais para repassar grandes ideias a alunos e jovens da instituição. A nota enfatizou que só no ano de 2016 foram realizados 131 eventos, contando com a presença de 15 mil espectadores e tendo em média, 20 patrocinadores.

A justificativa para devolver o dinheiro do patrocínio de Joesley foi por causa dos episódios que aconteceram na mídia, desfavorecendo a integridade do grupo JBS.

O instituto validou que em todos os seus contratos é imprescindível que os participantes honrem os princípios básicos de ética, moralidade e boa fé na condução dos negócios, algo que a JBS não fez. Nos últimos dois anos, a JBS já investiu cerca de R$ 1,5 milhão no Instituto.

Gilmar Mendes citado em áudio

O ministro do STF, gilmar mendes, acabou sendo citado em áudios entre executivos. Além de Mendes, a presidente da Suprema Corte, ministra Cármen Lúcia, e os ministros Ricardo Lewandowski e Edson Fachin, também tiveram seus nomes ligados ao empresário Joesley Batista e ao executivo do grupo, Ricardo Saud.

Os áudios revelam que os ministros foram citados, porém de forma desconexa e não clara. Algumas partes do áudio são inaudíveis e não deixam claro quais as relações com os ministros. Não foi mostrado nada que incrimine alguém da Suprema Corte.

Após o episódio, Cármen Lúcia se pronunciou [VIDEO] e mandou um ofício para a Polícia Federal investigar o caso.