Depois das declarações sobre os possíveis recebimentos de valores (por Lula) da construtora relacionada à Lava Jato, muito papo para manga foi gerado e, deste modo, o juiz que vem cuidando da questão, Sérgio Moro, chamou-o para mais um depoimento. O caso acontecerá na quarta-feira, dia 13.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ser interrogado na cidade de Curitiba, a pedido do juiz Sérgio Moro. A declaração acontecerá na 13ª Vara Federal de Curitiba, e este é o o segundo processo em que o ex-presidente está respondendo que deriva da Operação Lava Jato.

Na ação penal pública, o MPF, que é o órgão acusador oficial, afirma que Lula recebeu valores da construtora em um apartamento na cidade de São Bernardo do Campo (SP), além do terreno para a sede do instituto Lula [VIDEO].

Em contrapartida, a empresa receberia benefícios nas licitações perante à empresa nacional de petróleo, Petrobras.

O caráter punitivo

O primeiro interrogatório de Lula foi em julho, e ele foi condenado a 9 anos e 6 meses de prisão por conta dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. O caso ainda teria como lastro o triplex em Guarujá, na cidade de São Paulo.

Em declaração à condenação exercida pelo juiz sobre o ex-presidente, o julgador emitiu nota dizendo que a prática do crime de corrupção incluiu o envio de 16 milhões de reais para envolvidos com o partido dos trabalhadores em valores consideráveis para cada agente. Completou também dizendo que o crime possuía agravantes, pois se tratava de um crime de organização criminosa, no qual todo o pagamento de propina era rotineiro, beneficiando de forma ilícita todos os envolvidos na questão.

Ainda no seu posicionamento sobre a condenação, o juiz continua afirmando que as consequências também devem ser averiguadas como negativas para toda a sociedade, pois o ônus gerado pela operação foi todo destinado à Petrobras, através de preços abusivos que ultrapassam todo o valor de mercado. Ainda ressaltou que toda a operações de licitações teriam sido propiciadas pela corrupção, com o que a estatal ainda arcou com o prejuízo no valor equivalente. Portanto, a culpa do ex-presidente deveria ser elevada.

No despacho, Moro afirmou que o ex-presidente teria recebido vantagem indevida em decorrência do cargo que possuía de presidente do país. Por tal fato, a condenação deveria receber agravante. Todo o fato acontecido ainda não gerou a prisão do ex-presidente.