O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, concedeu uma palestra na abertura do 10° Congresso Anual da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE), nesta quinta-feira (21), em Porto Alegre, e deu um recado aos brasileiros avisando que a Lava Jato não vai conseguir acabar com toda a corrupção, por isso novas investigações virão.

Moro defendeu as execuções temporárias após a confirmação da sentença na segunda instância do Judiciário como uma forma de evitar que a corrupção se alastre ainda mais e complique as investigações.

O juiz já havia falado que, se solto, o corrupto pode ocultar provas, fugir do país e a Justiça não conseguir realizar o objetivo de punir o responsável em ameaçar a ordem pública.

O magistrado afirmou torcer para que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha o entendimento votado no ano passado e não mude, nesse ano, a questão sobre as prisões em segunda instância.

Moro comentou em sua palestra que a corrupção não é apenas o recebimento de propina por uma agente público, mas envolve pagamentos de vantagens indevidas por construtoras que querem manter um bom relacionamento com os diretores da Petrobras.

Assim, num futuro próximo, ocorre uma troca de favores e contratos fraudulentos acabam sendo firmados.

O juiz revelou se assustar com o grandioso esquema de propina da estatal petrolífera e caracterizou de "perturbador". Na empresa, tudo é "superlativo". Os prejuízos se tornam enormes e há um grande desestímulo de investimentos.

Novas investigações

O juiz comentou, mais para o final de sua palestra, que mesmo a Lava Jato acabando, novas investigações vão surgir, e isso tem que ocorrer, pois a corrupção é algo que sempre vai existir.

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Sergio Moro Petrobras

O grande cuidado que temos que ter é não deixá-la se tornar sistêmica, disse ele.

Segundo o magistrado, nos contratos da Petrobras com suas principais fornecedoras, foi identificado abuso de poder público para ganho privado. Isso acontece no mundo todo, mas existem países que essa proporção é muito grande.

Ex-presidente

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a nove anos e seis meses pelo juiz Sérgio Moro.

Se caso o STF mude o entendimento da prisão em segunda instância, Lula terá uma saída e poderá se livrar da prisão. O juiz já falou que existem muitos advogados habilidosos que irão conseguir que os réus sejam julgados eternamente e dificilmente acontecerá um desfecho da Justiça, devido às regras generosas que eles têm em mãos. Por essa razão, o STF não pode mudar o seu entendimento.

Lula foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção no caso do triplex de Guarujá.

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