Rodrigo Janot deixará a chefia da Procuradoria-Geral da República no fim dessa semana. Até lá, tenta encerrar todas as investigações e denúncias que deixou engatilhadas. A mais importante delas é a segunda contra Michel Temer. A denúncia deve ser oferecida pelo procurador-geral da República nessa semana e será baseada em sete delações premiadas. Janot garante que, como a primeira denúncia foi rejeitada pela Câmara dos Deputados, essa segunda só será apresentada quando estiver "madura".

A primeira denúncia contra Michel Temer se baseava apenas em sua atuação nos esquemas. Já na segunda, Rodrigo Janot optou por uma abordagem mais ampla, focando mais na formação de uma organização criminosa.

O procurador-geral da República já deu uma prévia do que está por vir na denúncia que apresentou na última semana contra a cúpula do PMDB no Senador Federal - Romero Jucá, Renan Calheiros, Edson Lobão, Valdir Raupp e Jader Barbalho. Ele acusou os cinco senadores peemedebistas mais os ex-senadores José Sarney e Sérgio Machado de formação de uma organização criminosa. A abordagem deve ser a mesma na próxima denúncia contra Michel Temer.

As delações indicam, e o procurador-geral da República sustenta, que o grupo ligado a Michel Temer forma uma organização criminosa de diversos tentáculos e envolvida em esquemas múltiplos. Uma delas é a de Lúcio Funaro, apontado como doleiro operador do PMDB. Vale ressaltar que três das figuras mais importantes do grupo de Temer no PMDB estão presas: os ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves e o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.

O escândalo envolvendo a delação da J&F deve causar amplos questionamentos sobre a nova denúncia. Porém, fontes da Procuradoria-Geral da República informaram ao UOL que a nova denúncia "é robusta e se fundamenta em outros pilares". A defesa de Michel Temer já vem contestando as delações e fazendo amplos ataques contra Rodrigo Janot. Inclusive, os ataques pessoais contra o procurador-geral da República já se intensificaram nos últimos dias.

Temer x Janot

A defesa de Michel Temer já entrou com uma petição como "pedido de ordem" solicitando a suspeição de Rodrigo Janot em qualquer ato contra Temer. Os advogados pediram que haja "sustação de qualquer nova medida" do procurador-geral da República baseada na "parcialidade" de Janot e "descrédito" dos delatores.

O objetivo de Michel Temer e de sua defesa é que o peemedebista escape de uma segunda denúncia da PGR junto ao Supremo Tribunal Federal e não tenha que passar novamente por uma votação na Câmara dos Deputados. Temer já escapou com sobrar da primeira "flechada" de Janot, quando foi acusado de corrupção passiva e venceu em um julgamento político com a ajuda do dinheiro que despejou nos bolsos dos deputados.

Com essa carta na manja já utilizada, o Planalto não quer dar sopa para o azar e apostar apenas na fidelidade da base aliada,

Na última sexta-feira (8), o ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, enviou ao plenário do Supremo o recurso da defesa de Temer contra Janot. O caso será julgado na quarta-feira (13). No dia 30 de agosto, Fachin já havia negado o pedido da defesa do peemedebista.

Últimos dias

Em sua última semana como procurador-geral da República, Rodrigo Janot não quer deixar nas mãos da nova procuradora, Raquel Dodge, indicada por Temer, a responsabilidade de oferecer a segunda denúncia contra o peemedebista.

Janot já encerrou os casos dos integrantes do PT e PP, que se iniciaram as investigações em 2015. Para concluir seu trabalho, resta apenas fechar a pasta dos integrantes do PMDB. Assim, concluiria as denúncias contra os três partidos que tinham maior atuação na Petrobras.