Oficialmente, a campanha para as eleições presidenciais de 2018 ainda não começaram, mas o jogo nos bastidores e as indiretas nas entrevistas dão o tom do que está por vir. Ainda sem presença confirmada no pleito, e à espera de uma decisão do PSDB, o prefeito de São Paulo João Doria fez questão de relativizar o resultado da recente pesquisa CNT, que colocou Lula na liderança nos três cenários possíveis.

No cenário em que foi listado, Doria aparece na quarta colocação, com 9,4% das intenções de voto dos brasileiros. Em sua frente estão Lula, em primeiro com 32,7%, Jair Bolsonaro, com 18,4%, e Marina Silva, com 12%. O prefeito paulista, no entanto, vence em termos percentuais os seus companheiros de partido.

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, teve 8,7% na pesquisa estimulada e Aécio Neves decepcionou com apenas 3,2%.

No entanto, Doria não acredita totalmente nos números. Ele entende que ainda há muito tempo para as eleições - aproximadamente um ano - e que as estatísticas de agora podem mudar até lá. O político tucano vê Lula como um candidato "derrotável" em 2018.

"Eu tinha só 2% de chances quando comecei minha campanha para ser prefeito de São Paulo, e depois fui eleito. Claro que há de se respeitar a sua densidade política, mas o Lula [VIDEO] é um candidato derrotável sim", comentou João Doria.

"Não se pode pensar que esses índices apresentados fazem de Lula um candidato imbátivel. Já até disse isso e repito. Quero que ele venha a disputar essas eleições, para ganharmos dele nas urnas", acrescentou, durante participação no 8° Fórum Liberdade e Democracia, realizado em Minas Gerais.

Doria e Lula têm trocado farpas desde que o tucano se lançou como alternativa à prefeitura de São Paulo em 2016, em substituição ao petista Fernando Haddad. Em uma entrevista realizada em julho, o ex-presidente da República chegou a dizer que Doria "não é nada", fazendo pouco caso do seu alcance político. O prefeito, por sua vez, já atacou Lula tanto em entrevistas, como em palestras e postagens em redes sociais.

PSDB ainda não definiu seu candidato

Mal nas pesquisas, o PSDB sofre com a indefinição do seu candidato presidencial para 2018. O governador paulista Geraldo Alckmin, que habitualmente opta por entrevistas mornas e pouco esclarecedoras, agora tem se portado como um potencial candidato ao Palácio do Planalto. Suas últimas manifestações públicas indicam esse caminho, ainda que ele tenha que disputar "prévias" contra João Doria, a quem ajudou a vencer as eleições municipais do ano passado.

Doria, por sua vez, sempre procurou ressaltar sua ligação afetiva com Alckmin e chegou a garantir que não disputaria a prévia partidária contra o governador.

Mas esse discurso tem mudado e o prefeito já não esconde o desejo de disputar as eleições de 2018.

Em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, do SBT, na última semana, o prefeito deixou bem claro que tem o interesse em disputar o pleito, mas reforçou que não quer causar "fissuras" com Alckmin nem com o PSDB.

"Quem não gostaria de se tornar presidente do Brasil? Creio que todos gostariam disso. Mas uma coisa é desejar e outra é estabelecer sua própria rota e o seu próprio caminho. Não quero por meio dessas manifestações criar fissuras com o governador e arranhar a boa relação que tínhamos, temos e vamos seguir tendo. E não quero fissuras dentro do próprio partido", explicou.

Alckmin, por sua vez, já disse que não vê problema em passar por prévias contra o prefeito. Caso vá ao pleito de 2018, o governador tentará reverter o panorama apresentado nas eleições de 2006. Em sua única tentativa até hoje, ele foi derrotado por Lula no segundo turno.