Quem nunca viu esse filme. Um candidato a deputado federal com mais de um milhão de votos se elege e ainda, de quebra, consegue "puxar" mais dois ou três com ele para o Congresso Nacional ou Assembleia Legislativa de seu estado. A ajuda da legenda e dos candidatos bons de votos pode deixar de existir nas próximas eleições se o "Distritão" [VIDEO], um dos pontos mais polêmicos da reforma política, for realmente aprovado. Para o consultor e especialista em marketing político, professor Eduardo Negrão, a reforma política vai frustrar os planos de muitos políticos do interior, pois nesse novo formato de campanha eleitoral, o poder econômico ditará as regras, porque geralmente os mais votados e com condições de bancar campanhas milionárias estão nas capitais ou grandes cidades e, dessa forma, os candidatos dos pequenos municípios entrariam na disputam de forma desigual.

“O Distritão, que deverá mudar a forma como os votos para os cargos legislativos (deputados federais e estaduais, além de vereadores) são totalizados, desmotiva, joga um balde de água fria nos planos dos políticos dos pequenos municípios, que buscam um espaço maior nas próximas eleições”, explica Eduardo Negrão.

O consultor político, que viveu experiências de sucesso em campanhas eleitorais prestando consultoria em campanhas de grandes e pequenos candidatos, é categórico ao afirmar que a representatividade de pequenos municípios nas assembleias legislativas e Câmara dos Deputados será comprometida. “Isso só vai ajudar a concentrar com mais força a representatividade parlamentar aos grandes centros urbanos dos seus estados, como Curitiba, São Paulo e Belo Horizonte, por exemplo.

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Assim acabará a distribuição dos votos por legenda ou coligação”, explica Negrão.

Segundo ele, em boa parte das situações, os candidatos a deputado federal ou estadual conseguiram se eleger devido à ajuda dos votos de colegas de legenda, em função da proporcionalidade dos votos de coligação ou partido. “Vai acabar essa história de ajuda dos puxadores de votos”, comenta o consultor, usando como exemplo a eleição do deputado federal Tiririca, do PR paulista. Eduardo Negrão afirma que, se na época o Distritão já estivesse em vigor, ele até seria eleito com folga por causa dos votos recebidos, mas não levaria ninguém com ele. “Não há clareza ainda se teremos uma distribuição de representatividade por cada região, mas é fato comprovado que no Distritão serão potencializadas as candidaturas de grandes centros, onde os deputados mais votados de cada estado têm suas bases políticas", conclui o professor Eduardo Negrão.