O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, resolveu se pronunciar de modo contundente em relação à denúncia apresentada contra a cúpula do PMDB, em processo que se encontra no âmbito da Operação Lava Jato, juntamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO]. Foram denunciados os senadores da República que são figuras já carimbadas do partido, como Edison Lobão (PMDB-MA), Romero Jucá (PMDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Valdir Raupp (RO). Além desses políticos, foram denunciados dois ex-senadores, Sérgio Machado (PMDB-CE) e o ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP).

Os crimes relacionados ao processo e apresentados pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se manifestou sobre os possíveis crimes que tenham sido praticados pela cúpula do PMDB, chamada como "Quadrilhão do PMDB" no Senado Federal.

De acordo com a denúncia do procurador, os crimes se referem à práticas ilícitas cometidas em relação à administração pública, principalmente, em se tratando de estatais como Petrobras e Transpetro.

Os prejuízos estimados ultrapassam cifras na importância de aproximadamente R$ 5,6 bilhões em rombos nos cofres públicos das estatais, sendo que cerca de R$5,5 bilhões eram provenientes da Petrobras e R$ 113 milhões na Transpetro. Vale ressaltar que os senadores e ex-senadores envolvidos na denúncia, teriam sido responsáveis por terem angariado cerca de R$ 864 milhões, em dinheiro público, fruto de propinas.

'Organização criminosa'

De acordo com a denúncia apresentada e encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (08), o procurador-geral Rodrigo Janot afirmou enfaticamente que a cúpula de senadores do PMDB teria se instalado nas diretorias de Abastecimento e Internacional, que fazem parte da Petrobras, justamente durante no final do ano de 2002, período em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à Presidência da República, pela primeira vez.

Rodrigo Janot revelou ainda que a organização criminosa, alvo desse processo no âmbito da Operação Lava Jato, teria se concretizado, a partir da primeira eleição ganha pelo ex-presidente Lula. Entretanto, Janot apontou que a responsabilidade inerente aos peemedebistas teria se efetivado "até os dias de hoje" em relação à indicação de cargos na estatal, já que parte desses cargos teriam sido loteados por ex-diretores da Petrobras, que são atualmente delatores na Lava Jato, em referência a todo o esquema implementado, como Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró.

O chefe do Ministério Público Federal ressaltou também que a organização criminosa foi constituída em 2002, com o propósito para que ocorresse a eleição do ex-presidente Lula à Presidência da República, quando alguns dos integrantes do PT se uniram a grupos econômicos, com a intenção de realizar o financiamento de campanha de Lula, em troca de um compromisso do petista, em poder atender aos interesses privados daqueles grupos e conglomerados.

Já a defesa de Lula afirmou que o petista jamais teria participado de organização criminosa ou da prática de qualquer ato considerado ilícito.