Para muitos brasileiros, Sérgio Moro é considerado um herói no combate à corrupção com a operação "Lava Jato", sendo admirado por milhões, mas também odiado por tantos outros. A polarização que a mídia faz de sua figura com a de políticos, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), principalmente durante os depoimentos como o da última quarta-feira (13), cria a impressão de um episódio de luta entre o bem e o mal, onde é possível encontrar o mocinho e o vilão e há até torcidas pró e contra o juiz e seus adversários, nesse caso os políticos acusados de corrupção. Sérgio Moro [VIDEO] definitivamente não é um herói, apenas combate a corrupção, o que não deixa de ser um ato heróico.

Embora não seja um herói, o juiz da Lava Jato gosta desse universo e vive dentro dele como leitor e telespectador das histórias desses defensores do universo. "Ele é uma pessoa comum, mas curtidor das histórias Marvel", revelou sua mulher, Rosângela Moro, responsável por uma página em homenagem a ele no Facebook. Ela publicou uma foto do marido ao lado de uma criança, na página "Eu MORO com ele", onde escreveu que as crianças demonstram sinceridade em suas manifestações de admiração e carinho. Elas carregam pureza, espontaneidade e autenticidade, segundo ela.

Na postagem feita antes de Sérgio Moro comandar o interrogatório do ex-presidente Lula em Curitiba [VIDEO], Rosângela Moro deixou claro que o marido é uma pessoa como outra qualquer e não um herói como muitos imaginam.

Depois encerrou afirmando que mesmo sendo um simples mortal, Moro adora as histórias do universo Marvel, e marcou uma hashtag com a palavra Spiderman, nome do herói Homem Aranha em inglês.

O Brasil precisa de heróis?

Sérgio Moro não é o primeiro magistrado a ser tratado como herói. Ele é o nome da vez em função da Lava Jato, mas os brasileiros já tentaram criar um outro herói dentro do poder judiciário. O relator do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, também foi chamado de herói em diversas ocasiões, e uma delas foi durante uma rápida aparição na cerimônia de posse do novo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Felix Fischer, em 2012. Assediado pela imprensa, Barbosa reagiu de forma bem humorada quando algumas mulheres afirmaram que o juiz era o herói delas.

A exemplo do que acontece com Sérgio Moro, o então juiz Joaquim Barbosa também foi assediado por correntes políticas para disputar a presidência da República, mas declinou. O Brasil ainda segue em busca de um herói e quem sabe o encontre futuramente no comando do país, porque vilões temos de sobra para fazer inveja a qualquer inimigo dos mocinhos da Marvel.