O juiz Sérgio Moro negou o pedido expedido pela defesa do ex-deputado Eduardo Cunha solicitando a transferência dele para uma unidade prisional em Brasília, no Distrito Federal.

O pedido, emitido pelo juiz federal Vallisney de Souza, foi motivado pelo fato de que Cunha responde a outro processo relacionado à Operação Sépsis, e que tramita na capital brasileira. Souza também solicitou que o peemedebista seja liberado para depor no dia 22 de setembro.

No entanto, Moro retrucou dizendo não identificar motivos para que a transferência aconteça. Em sua resposta ao despacho, o juiz paranaense garantiu que, caso o prisioneiro seja intimado a depor no outro caso, a liberação será dada para a ocasião.

Portanto, Eduardo Cunha segue cumprindo a sua pena no Complexo-Médico Penal, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e não há previsão para que o endereço seja alterado.

O juiz Sérgio Moro disse que não reconhece nenhum motivo para que Cunha mude para Brasília, uma vez que nem mesmo a família do deputado cassado está nessa localidade.

Ex-deputado está preso, e deve cumprir pena de 15 anos

Eduardo Cunha foi sentenciado, em março desse ano, a cumprir 15 anos e 3 meses de prisão por conta de seu envolvimento em diferentes crimes.

A prisão aconteceu em outubro de 2016, durante uma das importantes ações da Operação Lava-Jato. Desde que o ex-deputado foi preso, Moro alegou que ele já tentou subornar e ameaçar testemunhas mesmo de dentro do complexo penitenciário.

Cunha é acusado de ter recebido propina em contratos que envolvem a exploração de petróleo pela gigante Petrobras, na África.

Ele também foi acusado de esconder uma verdadeira fortuna em contas não declaradas na Suiça. Os crimes caracterizam três grandes fraudes previstas em lei: corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

No ato da prisão do ex-deputado, Sérgio Moro disse reconhecer que ele possui boa conduta, uma vez que não havia outras incriminações. Mesmo que outros processos já estivessem em andamento, efetivamente Eduardo Cunha não havia sido condenado por nenhum deles.

No entanto, o juiz também reiterou o rombo feito nos cofres públicos por conta da alta propina recebida por Eduardo Cunha, por isso decretou 15 anos e 4 meses de reclusão.

Naquele momento, a prisão do peemedebista surpreendeu a oposição ao governo, que alegava que as estratégias de Moro eram de perseguição política contra a esquerda.

A Operação Sépsis, que está em andamento em Brasília, e na qual Eduardo Cunha também é acusado de envolvimento, é uma das fases da mega Operação Lava Jato, e desmonta um imenso esquema de pagamento de propina com dinheiro público.

Nesse caso, Cunha foi apontado por delatores como envolvido no caso através do doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que foi preso em São Paulo.