Para o grande público, o Partido dos Trabalhadores (PT) insiste que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará na disputa de 2018 brigando pela presidência pela sexta vez, mas nos bastidores da sigla a perspectiva é totalmente contrária. Se, oficialmente, o PT acredita que é a candidatura de Lula é "irreversível" [VIDEO], internamente se entende que a Justiça fará de tudo para não permitir que ele entre na disputa.

O pessimismo é tanto que recentemente um colaborador próximo à Lula sugeriu que devido ao cenário indefinido, o ex-presidente foque o resto do ano para elaborar um programa de governo sólido e que empurre para o ano quem a definição sobre a candidatura.

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Esse mesmo colaborador, segundo a Agência Estado, destacou outros fatores que podem tornar o sonho de Lula candidato cada vez mais distante. Segundo ele, o cerco fechado pela Lava Jato é um deles, mas ainda existem as incertezas em relação à reforma política e a judicialização das campanhas eleitorais.

Amigos mais próximos confirmaram que Lula reagiu de forma extremamente negativa ao cenário apresentado pelo colaborador.

Há poucos dias alguns deputados estaduais do partido estiveram reunidos com o advogado Pedro Serrano, considerado uma referência jurídica da esquerda. Serrano destacou que apesar de Lula se considerar inocente, não se pode subestimar o fato de que o Poder Judiciário sofre grande influência política e, dentro desse contexto, a possibilidade da condenação ser mantida é muito grande. No entanto, o advogado considerou a possibilidade de recursos. Para a presidente nacional do PT, senadora Gleisi Hoffmann, se o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) ratificar a condenação, o ex-presidente Lula poderá recorrer às instâncias superiores.

Como seria a disputa presidencial sem Lula?

A esquerda já se adiantou e estuda como se posicionará nas eleições de 2018, caso Lula esteja fora da disputa.

Nesse caso, a ideia seria trabalhar por uma disputa "pulverizada", ou seja, com muitos candidatos com pensamento político de esquerda. Com Lula fora do páreo existe também a possibilidade da esquerda ficar dividida nas eleições e um exemplo disso é o PC do B, aliado histórico do PT que não enxerga nenhuma vantagem em manter a base de apoio ao projeto, caso o ex-presidente não seja o candidato oficial da esquerda para a presidência da República.

Segundo o deputado Orlando Silva, do PC do B paulista, que já foi ministro nos governos de Lula e Dilma Rousseff [VIDEO], seu partido já começou a fazer consultas sobre nomes que teriam condições para disputar as eleições do ano que vem como candidatos a presidente da República.