Em uma ação imediata, considerada de última hora, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, decidiu encaminhar juntamente ao Supremo Tribunal Federal (STF), um pedido de prisão contra o empresário goiano Joesley Batista, dono do Grupo J&F, além de solicitação de prisão para o executivo da mesma empresa, Ricardo Saud e também a prisão para o procurador da República, Marcello Miller. Entretanto, para que seja expedido realmente um mandado de prisão aos acusados, torna-se necessária a análise do ministro-relator da Operação Lava Jato, em relação ao caso JBS no Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Edson Fachin.

Omissão de crimes

De acordo com os desdobramentos das investigações dos procuradores federais, o principal embasamento para que fossem solicitadas as prisões de Joesley Batista, Ricardo Saud e Marcello Miller, pelo procurador-geral da República Rodrigo Janot, trata-se de uma possível omissão de crimes relacionados à implementação do acordo de colaboração premiada dos executivos da empresa de Joesley, além da situação inerente ao papel desempenhado pelo procurador Miller.

Segundo a apuração das investigações iniciadas na última segunda-feira (04) pela Procuradoria-Geral da República, alguns crimes não teriam sido revelados, durante a promulgação do acordo entre JBS e a PGR.

O procurador Rodrigo Janot irá ainda mais longe, ao solicitar que seja revogado o benefício que se refere à imunidade penal e que havia sido concedido aos delatores. Rodrigo Janot já vinha, nos últimos dias, fazendo uma análise a respeito de uma possível solicitação de prisão preventiva aos delatores. Embora os delatores Ricardo Saud, Joesley Batista e o procurador Marcello Miller, tivessem prestado depoimento neste feriado de 07 de setembro juntamente à Procuradoria-Geral da República, segundo os investigadores, eles não teriam convencido em seus depoimentos.

A Procuradoria-Geral da República entendeu ainda, que os depoimentos serviram somente para que os delatores tentassem manter a validade dos acordos de colaboração premiada dos delatores, porém, os fatos que vieram à tona, foram considerados extremamente graves.

Já em relação ao caso específico do procurador da República, Marcello Miller, os auxiliares do chefe do Ministério Público Federal Rodrigo Janot, fizeram a avaliação de que ele teria atuado juntamente à empresa JBS, com a utilização de informações de caráter privilegiado por ter sido membro integrante da equipe do procurador-geral Rodrigo Janot e por ter incorrido, na prática de crime de obstrução de Justiça e exploração de prestígio.