Rodrigo Janot deixou a Procuradoria-Geral da República neste domingo (17). Mas não sem antes atirar uma nova flecha contra Michel Temer [VIDEO]. O ex-procurador-geral da República denunciou o chefe do Executivo na última quinta-feira (14) pelos crimes de obstrução à Justiça e organização criminosa.

Veja os principais pontos da denúncia de Rodrigo Janot contra Michel Temer:

Líder do "quadrilhão" do PMDB

Michel Temer foi apontado como chefe de uma "organização criminosa" conhecida como PMDB da Câmara.

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Ele seria o centro das decisões dos atos ilícitos desde maio de 2016, quando assumiu a presidência da República, segundo Rodrigo Janot.

Junto com Michel Temer, participavam da organização criminosa outros caciques do PMDB: Eduardo Cunha, presidiário que foi presidente da Câmara dos Deputados; Geddel Vieira, ex-ministro de Temer; Henrique Eduardo Alves, outro ex-ministro de Temer; Moreira Franco e Eliseu Padilha, ambos atuais ministros do peemedebista, e Rocha Loures, braço-direito de Temer, aquele mesmo da mala de R$ 500 mil.

Obstrução

Michel Temer também é acusado pelo crime de obstrução à Justiça. Baseado na delação da Joesley Batista, ele teria instigado o empresário a pagar a irmã do doleiro Lúcio Funaro, Roberta Funaro, uma quantia para que o operador do PMDB e de Eduardo Cunha ficasse calado e não fechasse um acordo de delação premiada. O que acabou não adiantando, já que Funaro costurou sua delação.

Segundo a denúncia, Michel Temer teria "embaraçado" as investigações contra a organização criminosa tentando impedir sua continuidade.

Além de Funaro, Michel Temer teria tentado manter calado o ex-deputado Eduardo Cunha. Nessa denúncia, a famosa gravação de Joesley com Temer foi utilizada como base.

Propina

O "quadrilhão" do PMDB comandado por Michel Temer teria conseguido arrecadar impressionantes R$ 587 milhões em propina.

Segundo a denúncia de Rodrigo Janot, o "quadrilhão" não era composto apenas por deputados do PMDB e ministros de Temer. Senadores peemedebistas e alguns petistas e integrantes do PP também fazia parte da organização criminosa.

Cargos e "promoções"

Rodrigo Janot apontou que o alto escalão do "quadrilhão" de Temer foi elevado aos principais cargos do governo após maio de 2016, quando o peemedebista assumiu o Executivo. Temer e Eduardo Alves teriam sigo os responsáveis por distribuir os cargos. Já Moreira Franco, Geddel, Padilha e Eduardo Cunha fariam a arrecadação da propina.

Janot apontou que os tentáculos da organização criminosa não ficaram apenas na Petrobras, mas passaram pela Caixa Econômica Federal, Furnas e outros órgãos.

JBS

O principal partido do "quadrilhão", PMDB, teria recebido o valor de R$ 7 milhões em propina de Joesley Batista por benefícios vindos do Ministério da Agricultura. O pagamento da propina foi identificado em uma planilha do doleiro Lúcio Funaro. Os pagamentos teriam sido feitos em 18 de março de 2014 e 1º de julho do mesmo.

Primeiro R$ 2 milhões, depois, os R$ 5 milhões restantes.

Rodrigo Janot afirma que Michel Temer ordenou que o ex-presidente da JBS pagasse uma "mesada" no valor de R$ 100 mil a Wagner Rossi (PMDB), ex-ministro da Agricultura e homem responsável por apresentar Joesley e Temer.

Funções

A PGR afirma que Michel Temer tinha uma ascensão sobre todo o grupo do "quadrilhão". O primeiro escalão era composto por Moreira Franco, Eliseu Padilha, Eduardo Cunha, Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima. Rocha Loures faria parte do segundo escalão, mas era homem de confiança de Temer. Segundo a PGR, a organização criminosa trabalho tanto nos governos Lula e Dilma.