O ex-governador Anthony garotinho chegou a ser preso (por duas vezes) e condenado em 1ª instância (por fraude eleitoral), por questões ligadas ao programa social 'Cheque Cidadão', porém, o ex-governador conseguiu um habeas corpus [VIDEO] no TSE (para aguardar o julgamento do recurso em liberdade). Neste domingo (22/10) Anthony Garotinho concedeu entrevista ao programa Conexão Repórter, apresentado por Roberto Cabrini, no SBT.

Programa Cheque Cidadão

Anthony Garotinho foi denunciado pelo Ministério Público (perante a justiça eleitoral), porque teria destinado mais de 11 milhões dos cofres públicos ao programa Cheque Cidadão, um programa similar ao Bolsa Família, porém, da prefeitura de Campos - RJ, destinado a cidadãos de baixa renda, que chegavam a receber cerca de R$ 200,00 (duzentos reais) por mês.

Segundo o Ministério Público (e a sentença), em síntese, cidadãos que 'não precisam' do dinheiro teriam sido cadastrados para votar em Garotinho e em parceiros políticos. Na época, Garotinho era secretário no município e sua esposa, Rosinha Garotinho, era prefeita.

Injustiça contra Garotinho

Segundo o ex-governador Anthony Garotinho, o processo é fruto de 'vingança' de grupo ligado ao também ex-governador Sérgio Cabral. Garotinho alega que chegou a fazer denúncia contra Sérgio Cabral no MPF (há alguns anos) e que o ex-governador ainda mantém controle e poder no estado do RJ, mesmo preso.

Corrupção no Poder Judiciário

Garotinho, que atualmente apresenta um programa de rádio, contou a Roberto Cabrini que também existem irregularidades no Poder Judiciário. O ex-governador fez questão de deixar claro que apenas 'algumas pessoas' que integram o Poder Judiciário cometem ilícitos, mas segue confiando na justiça.

Além de acusar o juiz que determinou sua prisão, visto que a condenação de Garotinho ocorreu, basicamente, em virtude de 'um programa social', o que torna a questão suspeita, Garotinho denunciou irregularidades em construção do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que, segundo o político, teria superfaturamento de mais de 30 milhões (conforme laudos técnicos).

Anthony Garotinho atribuiu a responsabilidade pela 'irregularidade' na construção ao ex-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro Luiz Zveiter.

Importante observar que Luiz Zveiter já esteve envolvido em outras apurações, como uma anulação de um concurso de cartório pelo CNJ, em que uma amiga e uma ex-namorada teriam sido aprovadas no concurso de forma irregular, visto que Zveiter teria participado da 'banca' e teria beneficiado as conhecidas. (porém, o STF anulou a decisão do CNJ).

Em outro caso, durante as investigações sobre o assassinato da juíza Patrícia Acioli (morta a tiros), foi levantada a informação de que Zveiter (então presidente do TJRJ) teria negado pedido de segurança para a juíza.

Porém, Zveiter negou as afirmações na época, dizendo que a juíza nunca havia mencionado problemas de segurança (pessoalmente durante uma reunião que tiveram).

Na verdade, a juíza chegou a fazer dois pedidos formais (por processo administrativo), tendo um iniciado antes da gestão de Zveiter, mas arquivado em sua gestão (com parecer técnico emitido antes da sua gestão, sugerindo arquivamento). Porém, um segundo pedido da juíza, durante a gestão de Zveiter, também foi negado (com base em 'parecer técnico'). A juíza foi assassinada com vários tiros.

Denúncia de Garotinho

Durante a entrevista ao programa Conexão Repórter, Garotinho fez diversas acusações e disse ter provas de algumas das acusações.