O juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato, sempre demonstrou muita educação na forma de tratar as pessoas, até mesmo quando tenta criticar alguém. Dessa vez, a grande preocupação do juiz tem sido com as últimas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO].

A impressão que se tem é que até mesmo o Supremo está confuso diante de seus entendimentos e alguns atritos estão surgindo entre eles próprios.

Em relação ao fim do foro privilegiado, muito criticado por Moro e os outros investigadores da Lava Jato [VIDEO], os ministros estão um pouco divididos no assunto. O julgamento havia se iniciado no dia 1° de julho, deste ano, porém, um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes acabou interrompendo a sessão.

Moraes falou que precisava de mais tempo para estudar o caso, mas que até final de setembro, já teria uma resposta. Estamos quase no final de outubro e nada do ministro se pronunciar.

A ministra e presidente da Corte, Cármen Lúcia, também não colocou a medida para votação na pauta do Supremo. Ela não tem tomado inciativas fortes nos últimos dias e tem sido pressionado por todos os lados. Até generais chegaram a escrever repulsas contra a última decisão da ministra que votou a favor do Congresso dar aval antes de um parlamentar perder o mandato. Isso colaborou com o senador Aécio Neves e causou ódio na população. Fachin não gostou do voto de desempate de Cármen.

Urgência

O ministro Edson Fachin, no começo do mês, resolveu dar uma indireta a Moraes e falou que a votação sobre o fim do foro privilegiado deveria ser feito em caráter de urgência.

De acordo com Fachin, esse privilégio de alguns tira o conceito de que a lei é para todos.

Os suspeitos acabam se utilizando do foro para retardar processos ou até mesmo se livrar de eventuais prisões. Moro já havia dito que o foro especial ajuda criminosos a continuarem seus crimes e ocultarem provas das investigações.

Mais indiretas

Nesta quarta-feira (25), foi a vez do ministro Celso de Mello, o decano da Corte, pressionar para que se continue o julgamento sobre o fim do foro privilegiado. Já tem quatro votos certos para que se limite o alcance. Para Mello, essa é uma matéria de grande importância e que não pode ficar parada. Deve ser concluída.

Alguns ministros já chegaram a proferir seus votos a favor do fim do foro privilegiado, mas foram decepcionados com o pedido de vista de Moraes.

Uma coisa é certa, as pessoas estão descontentes com a atuação do Supremo e novas decisões "erradas" podem causar protestos em todo o país.