A Câmara dos Deputados divulgou, sem querer, uma informação muito íntima do presidente da República, Michel Temer. Publicado em um documento oficial, no qual o ex-ministro Geddel [VIDEO]Vieira Lima contata Temer através de uma chamada telefônica, o documento veio a público e causou grandes inconvenientes ao chefe do Executivo.

Trata-se do número de telefone pessoal do presidente. O número estava salvo no iPhone do ex-ministro da Secretaria de Governo da Presidência Geddel Vieira Lima. O telefone celular foi apreendido pela Polícia Federal durante a operação Lava-Jato. Todos os demais documentos e vídeos dos delatores foram divulgados e por essa razão o número foi compartilhado com a Câmara dos Deputados, instância responsável pela análise da segunda denúncia da Procuradoria Geral de República, enviada no mês passado pelo então procurador Rodrigo Janot.

Tendo sido divulgado o número de telefone do presidente da república, um repórter do jornal O Globo, Vinícius Sassine, ligou para o número publicado e conseguiu falar diretamente com o presidente Michel Temer. O presidente disfarçou quando o repórter lhe perguntou se o telefone pertencia ao Palácio do Planalto. No decorrer da ligação, Temer assumiu ao repórter que era ele quem estava falando.

Observe abaixo trechos do diálogo do repórter com o presidente:

Repórter: (...) E aí eu ligando só pra confirmar isso porque é um número que acabou ficando público, que tá colocado na própria página da Câmara, né?

Michel Temer: Tá certo. Mas liga, viu... Como é que é seu nome mesmo?

Repórter: Vinicius

Michel Temer: Liga, Vinícius, aqui para o gabinete do presidente, viu? Fala com a dona Mara.

Repórter: Tá...

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Eu falando com o presidente, não estou?

Michel Temer: Tá (risos)... perfeitamente...

Outros dados da conversa com o repórter

Além disso, o repórter Vinícius Sassine, do jornal O Globo, também questionou o presidente a respeito dos e-mails enviados ao presidente em outubro do ano passado através do iPhone de Geddel Vieira Lima, apreendido pela polícia. Por se encontrar na condição de presidente, Temer deveria ter utilizado o e-mail institucional (uma conta de e-mail oficial da Presidência da República pela qual unicamente o presidente deve se comunicar).

O endereço registrado era de uma conta no aplicativo do Google Gmail. Temer disse não saber sobre qual conta o repórter se referia e logo na sequência explicou que não usa o serviço de e-mail e que provavelmente o uso foi feito por sua secretária pessoal. Após ser questionado pela carta enviada por ele aos deputados, Temer desligou o telefone.