O clima ficou tenso entre os dois ministros da Suprema Corte que já vêm se engalfinhando há algum tempo.

O ministro Roberto Barroso é apontado por alguns como o desafiador do colega gilmar mendes. Os dois que possuem pontos de vista bem distintos entre si tiveram nesta quinta-feira (26) mais um capítulo de discussão acalorada.

Em vias gerais, o ministro Gilmar Mendes que na sessão de ontem (26) citou o Rio como um exemplo de má “administração de recursos” sendo logo na sequência confrontado pelo colega Roberto Barroso. Barroso diz que Gilmar destila constantemente o ódio e Gilmar o acusa de ter sido leniente com o José Dirceu (mensalão) que tinha sido ministro da era Lula.

Gilmar também disse que não defende o que ele se referiu como “bandidos internacionais” em clara alusão ao caso do acusado de terrorismo na Itália Cesare Battisti (antes de Barroso ser nomeado à Suprema Corte).

Barroso também questionou se no Mato Grosso, estado natural de Gilmar, se todos presos em um comparativo com o Rio, estado natural de Barroso, e completou dizendo “ nós prendemos, tem gente que solta”.

A presidência do Supremo interveio, os interrompendo por hora, mas depois voltaram às discussões.

Gilmar que havia acusado Barroso no caso Dirceu foi acusado por este de parcialidade em suas decisões: “Vossa Excelência vai mudando a jurisprudência de acordo com o réu. Isso não é Estado de Direito, isso é Estado de compadrio. Juiz não pode ter correligionário”.

Cármen Lucia, que é quem preside o Supremo intervém, mais uma vez lembrando a eles onde eles estavam e que precisavam voltar ao julgamento.

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Com o julgamento finalmente terminado, o plenário do Supremo manteve a decisão da Assembleia Legislativa do estado do Ceará que extingue os Tribunais de Contas dos municípios do estado.

O ministro Marco Aurélio de Mello acredita que tais acontecimentos, em referência à disputa entre os dois colegas, representam uma fragilidade que a imagem da Corte pode sofrer. Ele diz que em um momento como este onde a Corte precisa se pronunciar sobre fatos relevantes para a República, atos como o que aconteceram ontem (26) prejudicam substancialmente a imagem do Supremo perante o povo.

Marco Aurélio afirma também que todos que presenciaram o lastimável ocorrido não definem quem está certo ou errado (entre os dois) e ressalta que possui “inimizade capital” com um deles. Marco Aurélio que também é um desafeto do ministro Gilmar Mendes falou à reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.