Um duelo de opostos. Assim pode ser definido o cenário apresentado pela primeira pesquisa ibope com relação às eleições presidenciais marcadas para o ano que vem. Faltando aproximadamente um ano para o pleito, o instituto aponta que Lula e Bolsonaro estão na frente e são os favoritos para disputarem a preferência popular no segundo turno da votação.

Os dados foram divulgados neste domingo pelo jornal "O Globo" e batem com as pesquisas já realizadas por outros grupos, com Lula liderando e transitando entre a faixa de 33% e 37%. Neste momento, de acordo com o Ibope, o líder petista reúne 35% das intenções de voto e iria ao segundo turno contra o sempre polêmico Jair Bolsonaro, o preferido de 13% dos entrevistados.

A pesquisa feita pelo Ibope - a primeira com vistas à eleição de 2018 - foi estimulada, isto é, os nomes dos prováveis candidatos foram apresentados ao público antes da votação. Na chamada pesquisa "espontânea", o eleitor fala o nome do político que vem à mente.

Ainda não o registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da primeira pesquisa do Ibope, feita entre os dias 18 e 22 de outubro com a participação de 2.002 pessoas de todos os estados. A margem percentual é de dois pontos, para mais ou para menos.

Os números ainda trazem situações interessantes: Marina Silva, da Rede, novamente é a terceira colocada, assim como já fora nas eleições de 2014 - quando até chegou a liderar as pesquisas em determinado momento. A candidata ambientalista tem 8% da preferência segundo o Ibope. A curiosidade vem a seguir, com o apresentador da Rede Globo Luciano Huck, sem partido, e o governador de São Paulo pelo PSDB, Geraldo Alckmin, empatados com 5%.

Logo atrás aparece o prefeito paulistano João Doria, com 4% da preferência do eleitorado. Doria segue no centro de uma grande indefinição do seu partido, o PSDB, que ainda não decidiu oficialmente quem representará a sigla no pleito de 2018. Ciro Gomes, do PDT, aparece com 3%.

Com brancos e nulos tendo 18% e indecisos 5%, a primeira pesquisa Ibope está bem semelhante com a última do Datafolha, em setembro, quando Lula apresentava 36% contra 16% de Bolsonaro no cenário em que Alckmin é o escolhido do PSDB. Com Doria, os tucanos mantinham 17% e iam ao segundo turno.

E se Lula não participar das eleições?

Apesar de liderar todas as pesquisas desde que elas começaram a ser feitas, Lula não tem participação 100% da garantida na votação. Por conta de investigação oriunda da Operação Lava-Jato, o juiz federal Sérgio Moro o condenou por nove anos e seis meses de prisão, em um processo que ainda aguarda a decisão em segunda instância, no TRF-4, da quarta região.

Ainda não há data marcada para a decisão, e o PT acredita que ela possa sair até abril do ano que vem.

Caso o TRF-4 confirme ou aumente a sentença de Moro, Lula estará impedido de participar das eleições e por consequência trará um grande problema ao seu partido, que aparenta não ter um grande nome para substituí-lo nesse momento.

O Ibope também avaliou o cenário sem a participação de Lula [VIDEO]. Neste caso, a liderança se divide entre Jair Bolsonaro e Marina Silva. Ambos batem 15% das intenções de voto. Huck (8%), Ciro e Alckmin (7%) e Doria (5) completam a lista principal.

Uma das possibilidades do PT em caso de condenação definitiva de Lula é lançar Fernando Haddad como alternativa. Último prefeito de São Paulo antes da vitória de João Doria em 2017, Haddad já foi especulado nesse sentido, mas não alcançou bons números na pesquisa. Quando colocado no cenário de votação no lugar de Lula, o ex-prefeito da capital paulista somou apenas 1% das intenções de voto do público participante da pesquisa.