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Rica, loira, bonita, vaidosa e conhecida em todo o Brasil. Assim se apresentava Lidiane Leite, ex-prefeita da cidade de Bom Jardim, a 275 km de São Luiz, capital do Maranhão. Ela foi presa pela segunda vez na manhã desta terça-feira (24). O juiz Raphael Leite Guedes, acatando pedido do Ministério Público, mandou prender Lidiane. Ela estava em sua residência ,localizada em Araçagi.

Três advogados

Levada por policiais civis para a sede da SECCOR (Superintendência de Combate à Corrupção), Lidiane estava muito bem acompanhada e instruída por nada menos do que três advogados.

Ainda segundo o promotor Fábio dos Santos Oliveira, da Comarca de Bom Jardim, a investigação prossegue em segredo de justiça. O juiz Raphael Leite decretou que ela cumpra prisão domiciliar sem o uso da famosa tornozeleira eletrônica.

A vida de luxo

Passeios de jet ski e festas regadas a champanhe chamaram a atenção não apenas de seus seguidores no Instagram, como também de investigadores da Polícia Federal.

Ela teve a ordem de prisão decretada quando ainda era prefeita, mas preferiu fugir. Ela ficou foragida por trinta e nove dias. Lidiane foi presa no dia 28 de outubro de 2015, acusada de irregularidades em contratos fechados com empresas ''fantasmas'', ou seja, que não existem. Pelo menos R$ 12 milhões foram bloqueados por uma determinação judicial.

A ex-prefeita ostentação foi então condenada em março de 2017 por improbidade administrativa.

O 1º Capítulo do 4º parágrafo da Lei nº 8.429 de 2 de junho de 1992 é clara: ''Os agentes públicos de qualquer nível ou hierarquia são obrigados a velar pela estrita observância dos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade no trato dos assuntos que lhe são afetos.''

Fraude até mesmo em caixões de luxo

A ex-prefeita, envolta num emaranhado de escândalos, teve as suas contas investigadas a dedo.

Os investigadores detectaram diversas fraudes [VIDEO]; entre elas, o estranho detalhe de mochilas grandes demais para crianças do ensino fundamental e, acredite, cirurgias plásticas bancadas com dinheiro de merenda escolar. Ela simplesmente fraudou uma licitação de caixões populares, o que gerou enorme revolta.

A irregularidade foi detectada por falta de um motivo justo para esta contratação, pela inexistência da chamada pesquisa de preço na composição do orçamento e também pela falta da veiculação pública do resumo do edital propriamente dito, seja na internet ou jornal de circulação expressiva.

Assim sendo, a moça de rosto delicado não apenas cometeu um crime, mas vários ao longo de sua vida pública e desrespeita até mesmo os mortos.