A divulgação de novas revelações apresentadas no acordo de colaboração premiada do ex-doleiro Lúcio Funaro pode aumentar exponencialmente a "temperatura" na atual conjuntura do nebuloso cenário político brasileiro. Novos trechos dessa delação podem acarretar problemas para integrantes do Poder Judiciário.

Vale ressaltar que o ex-doleiro Lúcio Funaro é conhecido por ter atuado como doleiro do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que se encontra preso nas dependências da Polícia Federal em Curitiba, condenado em crimes relacionados à Corrupção no âmbito das investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato.

Denúncias atingem irmão de ministro do Supremo

O acordo de colaboração premiada firmado pelo ex-doleiro Lúcio Funaro, juntamente à Procuradoria-Geral da República, já durante o final do mandato do ex-procurador-geral Rodrigo Janot, acabou tornando público uma forte revelação, em se tratando de um familiar de um ministro integrante do Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO]. A revelação contundente de Funaro vem à tona no atual mandato da recém-empossada sucessora de Rodrigo Janot, procuradora-geral Raquel Dodge. As informações repassadas pelo doleiro dão conta da existência de um grande esquema de distribuição de propinas envolvendo Luciano Lewandowski, irmão do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A denúncia, que pode colocar a mais alta Corte brasileira em "maus-lençóis", foi repassada pelo ex-doleiro a procuradores federais.

De acordo com o delator Lúcio Funaro, um irmão do ministro Ricardo Lewandowski, Luciano Lewandowski, teria "operado papeis da Rio Bravo, que envolvia a Prece, e que, além disso, a propina era de 5-6%". A denúncia, considerada "bombástica", a partir das informações repassadas por Funaro aos investigadores, pode colocar integrantes do Supremo na mira da própria Justiça.

Ao serem procurados pela imprensa para se defender das acusações, tanto o ministro do STF, Ricardo Lewandowski, quanto seu irmão, Luciano Lewandowski, decidiram não se manifestar a respeito do assunto "espinhoso". Vale ressaltar que Ricardo Lewandowski presidiu o Supremo Tribunal Federal durante todo o processo de impeachment instaurado contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Ao se encerrar seu mandato à frente da Suprema Corte, o mesmo foi sucedido pela atual presidente, ministra Cármen Lúcia.

A delação de Lúcio Funaro chegou também a atingir o presidente da República, Michel Temer. Funaro, que era operador do PMDB, chegou a afirmar que o mandatário do país ficava com um percentual de propinas que eram repassadas ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Funaro também afirmou que chegou a repassar a Cunha cerca de R$ 1 milhão para a compra de deputados federais que votassem favoravelmente ao impeachment de Dilma Rousseff.