Um dos integrantes mais atuantes e incisivos da Operação Lava Jato veio a público para expressar uma grande preocupação. Trata-se do procurador da República e coordenador-geral da força-tarefa, Deltan Dallagnol, que se manifestou, de modo contundente, em relação a atual conjuntura política no Brasil e o papel desempenhado pelo Poder Judiciário, principalmente em relação a mais alta Corte de Justiça do país, o Supremo Tribunal Federal (STF).

Vale ressaltar que a Operação Lava Jato é conduzida em primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, a partir da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Forte apreensão de Dallagnol com o Supremo Tribunal Federal

Deltan Dallagnol afirmou, durante entrevista à imprensa, um dos motivos que mais lhe causa apreensão, em se tratando da prática de corrupção que permeia a realidade política no país. Deltan Dallagnol demonstrou grande preocupação com a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar o entendimento a respeito da decisão proferida anteriormente pela mesma Corte, em se tratando a prisão de condenados a partir da condenação em segunda instância.

Segundo Dallagnol, fatos recentes podem sinalizar uma alteração de rumos na mais alta Corte brasileira. Com o benefício dado ao senador afastado Aécio Neves, em razão de poder ter seu mandato julgado pelo Senado Federal, cuja autorização foi selada pela Suprema Corte, o grande risco é que políticos ilustres e sob condenação pela prática de corrupção possam também ser beneficiados.

Dallagnol foi contundente ao apontar que "diante da tendência do Supremo em rever o julgamento da execução provisória da pena, vários ministros do STF passaram a dar decisões liminares para a soltura de réus que haviam sido presos, após decisão de segundo grau". Ainda de acordo com o procurador da Lava Jato, essas decisões acabariam até mesmo beneficiando condenados na Justiça, como o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

Deltan Dallagnol, ao comentar o processo de condenação do ex-presidente Lula, relacionado à propriedade do apartamento tríplex, foi incisivo ao afirmar que "a valer pelas regras atuais, Lula deve, sim, ser preso, no momento seguinte", em alusão a uma decisão pela confirmação da condenação do ex-mandatário, a partir da segunda instância, o TRF4 (Tribunal Regional Federal da Quarta Região), sediado em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Deltan Dallagnol foi ainda mais longe ao delimitar que uma decisão contrária do Supremo, que possa permitir a soltura de condenados, após a segunda instância, "retiraria a credibilidade do próprio Tribunal". Em um alento, em se tratando da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol acredita que a operação esteja longe de terminar e ainda teria um longo caminho pela frente.