O procurador-Geral da República e coordenador da força-tarefa das investigações [VIDEO]da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, enfatizou, nesta última terça-feira, 24 de outubro, uma proposta transformadora para a renovação da política brasileira. No entanto, o procurador reafirma que quaisquer mudanças e propostas feitas por institutos especializados no combate à corrupção precisam do apoio em massa da sociedade brasileira. Dallagnol diz que, para ele, o futuro presidente da República não seria o "mais importante", mas sim os futuros deputados e senadores que precisam estar ao lado do povo para aprovar as medidas.

Dallagnol, juntamente de entidades, está focando em um novo pacote anticorrupção, baseado nas "Dez Medidas Anticorrupção" firmadas pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2015, que na época trouxeram cerca de 2 milhões de assinaturas em apoio.

Este novo pacote que vai vir à tona sobre os políticos conta com cerca de cem novas medidas no combate à corrupção, eles englobam o pacote das "dez medidas".

O procurador não divulgou quais seriam as entidades angariadas no projeto, mas afirmou que estão analisando as cem novas propostas que têm como intuito melhorar a transparência, o sistema eleitoral e licitações. Segundo Deltan, a sociedade tem papel fundamental, pois são os populares que irão escolher os deputados e senadores. Com isso, é preciso escolher parlamentares ficha limpa, que mostram-se comprometidos [VIDEO] com as novas medidas. O coordenador da Lava Jato diz que se os atuais parlamentares não aprovarem as medidas, é simplesmente a sociedade capaz de tirá-los e colocar no lugar políticos que sejam favoráveis as mudanças no combate à corrupção.

O novo pacote irá "aparecer" nas eleições de 2018, com políticos ficha limpa aprovando as propostas. O que antes era necessário pedir assinaturas de populares, agora será utilizado no decorrer das eleições com o apoio de políticos.

Deltan Dallagnol participou de um debate com o juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Lava Jato, e com outros dois juízes italianos da Operação Mãos Limpas - que inspirou a operação Lava Jato do Brasil. Os magistrados Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo comentaram durante palestra sobre as consequências da operação italiana.

No debate, Dallagnol deixou claro que a Operação Lava Jato precisa ir além, pois sozinha ela não iria transformar o Brasil como muitos pensam. O procurador reafirmou o importante papel da sociedade nesta questão.