Investigações conduzidas por subprocuradores da República e integrantes do Ministério Público Federal acarretaram em uma descoberta "impressionante" que envolve diretamente o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot - que encerrou seu mandato em 17 de setembro, sendo sucedido pela atual procuradora-geral Raquel Dodge, escolhida a partir de uma lista tríplice do Ministério Público Federal pelo presidente da República Michel Temer.

De acordo com o aprofundamento das investigações, um esquema criminoso de escutas teria sido montado durante o mandato de Rodrigo Janot, a frente da Procuradoria-Geral da República, como chefe do Ministério Público Federal.

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Entretanto, o mais intrigante, segundo os subprocuradores que se debruçaram sobre o caso, é que o esquema de escutas clandestinas idealizado pelo ex-procurador-geral teve ainda a participação e o comando de Lauro Pinto Cardoso Neto, que foi colaborador do Centro de Inteligência do Exército brasileiro, durante os anos de chumbo.

Esquema de escutas clandestinas

O esquema, montado e idealizado pelo ex-procurador-geral Rodrigo Janot, tinha como um de seus principais alvos, sua sucessora e atual procuradora-geral Raquel Dodge. Janot teria começado a tomar certa intimidade com métodos pouco ortodoxos, em se tratando de investigação, a partir do período que compreendia os anos de 2003 e 2005, quando ainda era secretário-geral da Procuradoria-Geral da República.

Já durante o período em que era subprocurador, Rodrigo Janot pôde incorporar, ao patrimônio do Ministério Público Federal, equipamentos considerados altamente sofisticados para escuta telefônica, como por exemplo, o Sistema Guardião, utilizado pela Polícia Federal, durante os desdobramentos de investigações de caráter especial.

Entretanto, subprocuradores tiveram acesso aos documentos considerados extremamente sigilosos e isso trouxesse à luz métodos obscuros e também ilegais.

São métodos que acabaram extrapolando os limites de atuação de um procurador da República, que deveria ter como grande objetivo seguir a letra fria da lei e não direcionar as investigações através de métodos ilícitos para os seus interesses pessoais. Segundo as investigações, os alvos de Janot não se tratavam apenas de políticos nas escutas clandestinas ilegais, mas também seus próprios adversários dentro da Procuradoria-Geral da República.

Um dos procuradores afirmou enfaticamente que teria seus passos monitorados por Janot. O subprocurador Antônio Augusto Brandão de Aras acredita que estaria sendo gravados por escutas ilegais em seu próprio telefone. Aras chegou até a importar um aparelho detector de grampos. A sucessora de Janot, Raquel Dodge também suspeita que foi alvo de espionagem. Raquel Dodge enfrentou uma situação extramente "estranha" e isso aconteceu durante o dia 3 de novembro de 2014, quando a luminária do teto de seu gabinete literalmente desabou. Ao solicitar que fosse arrumada a bagunça em seu gabinete, Dodge se deparou com sinais de impressões digitais em objetos da estante e no teto da copa de seu gabinete.

Embora Raquel Dodge tivesse solicitado uma varredura, tudo teria ocorrido de modo "capenga", sem a coleta de provas.