O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. disse durante entrevista - segundo a Folha de S.Paulo - que a sua sucessora, Dilma Rousseff teria, na concepção dele, traído seu eleitorado, já que ela promoveu um ajuste fiscal que segundo sua campanha ela não faria.

O ex-presidente concedeu entrevista ao jornal espanhol "El Mundo" e segundo disse, o grande erro de Dilma na verdade, era a política de exoneração às empresas, o que causou a perda de credibilidade. Lula ainda disse que o ano de 2015 foi semelhante ao de 1999, no governo Fernando Henrique Cardoso.

Ele ainda lembra que o presidente da Câmara dos Deputados, à época, o ajudou a superar o momento de instabilidade, quando segundo ele, o Brasil havia quebrado três vezes.

Ele também ressalva que o presidente da Câmara, no clímax do período Dilma, era de total aversão à presidência e que, por isso, ela não teria conseguido fugir de uma crise.

Dilma foi um erro

Segundo o que disse Lula ao jornal, tanto ele quanto a própria Dilma sabiam que, na verdade, era ele quem deveria ter concorrido no pleito de 2014. Ainda disse que também não se arrepende de não ter disputado as Eleições, isso por lealdade a Dilma, que tinha direito de se reeleger e que ele não é do tipo de homem que tem arrependimentos, mas que chegou a pensar por diversas vezes na possibilidade de um pleito diferente.

2018

Lula não descarta a possibilidade de não participar das eleições do próximo ano e diz que ninguém, na verdade, é imprescindível e que gostaria sim de disputar e que também existem "outros" Lulas - milhares.

Sobre o seu ex-ministro Antônio Palocci que agora articula um acordo de delação premiada com a Lava Jato, que o colocou como um dos cabeças em um esquema de corrupção e que ele - Lula - teria avalizado um pacto de sangue com a empresa de Emílio Odebrecht por pagamento de propinas, o ex-presidente entende que não havia verdades nele.

Ao ser questionado sobre a Venezuela e Nicolás Maduro, Lula diz que não é de apoiar ninguém incondicionalmente e que não vê com bons olhos qualquer tipo de intervenção estrangeira, como se a comunidade internacional pudesse e devesse manter o sillêncio perante o que ocorre no país vizinho.

Já sobre Donald Trump, presidente americano, o ex-presidente diz que não se pode governar um país inteiro pelo Twitter, em crítica ao líder americano pelo uso em excesso da rede social como se isso fosse indicativo de um péssimo governo.