O acordo de colaboração premiada que a cada dia torna-se mais costurado para que seja efetivamente selado pelo ex-ministro da Fazenda petista, Antonio Palocci Filho, juntamente à Polícia Federal e Ministério Público Federal, parece estar acarretando grandes preocupações no entorno do ex-presidente da República [VIDEO], Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o período em que começaram a ser divulgadas declarações do ex-ministro Palocci que envolvem diretamente o ex-mandatário do país, a repercussão do caso tomou um novo patamar, o que ocasionou grandes preocupações por parte de familiares de Antonio Palocci, que se encontra preso nas dependências da Polícia Federal, sob jurisdição da 13° Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Vale ressaltar que os processos que envolvem o ex-ministro da Fazenda e o ex-presidente Lula, em se tratando de crimes relacionados à corrupção na Petrobras, estão sob condução do juiz federal Sérgio Moro, a partir da primeira instância, no âmbito da força-tarefa da Operação Lava Jato. A Lava Jato é considerada a maior operação de combate à corrupção na história contemporânea do país e uma das maiores de todo o mundo.

Família de Palocci sob 'pressão'

Desde meados de setembro, quando o ex-ministro Antonio Palocci foi preso, no âmbito da Operação Lava Jato, seus familiares têm enfrentado situação "estranhas" , o que acabou trazendo grandes preocupações. De acordo com informações dadas através do jornal "Estado de S. Paulo", alguns dirigentes petistas, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, além de líderes nacionais da legenda e aliados do ex-presidente Lulla teriam procurado o pediatra Pedro Palocci, irmão de Antonio Palocci.

A intenção dessas pessoas seria obter informações sobre o processo de colaboração premiada que estaria sendo fechado pelo ex-ministro.

Entretanto, a partir do mês de maio, em que Antonio Palocci teria contratado um advogado especializado em acordos de delação premiada, seu irmão Pedro Palocci teria deixado de receber os dirigentes petistas, o que acabou sendo visto como um incentivo às delações, por parte do irmão mais velho do ex-ministro da Fazenda. Além do irmão, a mãe de Palocci, Antonia Palocci, conhecida como "dona Toninha", também passou a ser alvo de petistas. O próprio Lula se referiu a ela, ao afirmar em depoimento ao juiz Sérgio Moro, "como é que estaria pensando a mãe de Palocci, já que ela seria militante e fundadora do PT".

As relações entre Lula e Palocci ficaram totalmente "estremecidas", a partir do momento em que o ex-ministro resolveu iniciar as tratativas para um acordo de delação premiada. Lula não esconde a decepção, embora esperasse a delação de Palocci, não estaria se conformando com o que chamou de "mentiras".