Alvo de mais uma denúncia a ser votada pela Câmara dos Deputados, o presidente Michel Temer [VIDEO] (PMDB), distribuiu na manhã desta segunda-feira, dia 16, uma carta aos parlamentares do Congresso onde afirma que é vítima de uma “conspiração” do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e do doleiro Lúcio Funaro, entre outros.

Segundo informações do blog da jornalista Andreia Sadi, repórter do canal Globonews e blogueira do portal G1, a carta foi entregue aos senadores e deputados em Brasília por funcionários do Palácio do Planato.

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Para garantir que a mensagem chegue a todos os políticos do Congresso, incluindo aqueles que não estão na Capital Federal, o governo também preparou uma versão digital da carta de Temer que está sendo distribuída através do Whatsapp.

Com tom de indignação, evidenciado logo na primeira frase, Temer diz ter sido “vítima de torpezas e vilezas” desde maio. Na mensagem, o presidente afirma que existe uma “conspiração” para derrubá-lo da Presidência da República, e que os fatos para isso “são incontestáveis”.

Para convencer os deputados a votarem novamente contra a denúncia [VIDEO] que enfrenta, Temer afirma que a suposta conspiração começou com o áudio de dirigentes da empresa JBS, liderada pelos empresários Joesley e Wesley Batista, atualmente presos após violarem o acordo de delação premiada fechada com a Procuradoria Geral da República (PGR).

Temer afirma que Janot agiu junto a Funaro e irmãos Batista para incriminá-lo

Segundo Temer, “o único objetivo” de Janot era o de “derrubar o presidente”. Temer também atacou o ex-procurador Marcello Miller, acusando-o de ter se tornado advogado dos dirigentes da JBS enquanto ainda atuava na PGR.

Na carta, que classificou de "desabafo" e "uma explicação", Temer também afirma que o ex-presidente da Câmara e ex-deputado, atualmente detido, Eduardo Cunha, teria revelado em entrevista à revista Época que Janot não aceitou sua delação por “exigir que ele [Cunha] incriminasse o presidente da República”. De acordo com Temer, Janot teria buscado “alguém disposto a isso”, afirmando que “sequer conhecia” Funaro, a quem chamou de “delinquente”.

Ainda em suas palavras, Temer afirma que os citados desejavam tentavam "livrar-se de qualquer penalidade" e conseguir com que fosse demovido do cargo de presidente. Também referindo-se à reportagem de revista Época, Temer diz que Cunha negou a afirmação de Joesley Batista de que teria recebido dinheiro do empresário para manter-se calado sobre os supostos envolvimentos do presidente em ações ilegais de recebimento de propina.

Mantendo o tom de apelo presente em toda a mensagem, Temer ressaltou seu currículo como conhecedor de direito, afirmando ter “mais de 50 anos de serviços na universidade, na advocacia, na procuradoria e nas secretarias de Estado, na presidência da Câmara dos Deputados e agora na Presidência da República”.

Dizendo-se “indignado” e taxando as pessoas citadas na carta de “gente inescrupulosa”, Temer disse ser “vítima de uma campanha implacável com ataques torpes e mentirosos”. De acordo com ele, o objetivo das acusações que vem enfrentando desde maio, quando vazou um áudio de uma conversa sua com Joesley Batista, é “enlamear” seu nome e prejudicar a República.

Já próximo do fim da carta, Temer voltou à estratégia recorrente de enaltecer feitos de seu governo e pedir pelo apoio do Congresso, afirmando que é necessário “estabelecer a verdade dos fatos”. Segundo o peemedebista, foi “a iniciativa do governo” ao lado da atuação da Câmara e do Senado que “possibilitou a retomada do crescimento no país”.