Divulgada nesta quarta-feira, dia 18, uma nota do PSDB afirma que o partido não realizou um acordo com o presidente Michel Temer (PMDB) visando ajudá-lo na votação da denúncia na Câmara dos deputados [VIDEO] em contrapartida pela atuação de Temer na votação do Senado que revogou o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) [VIDEO], presidente da legenda.

Segundo a mensagem divulgada pelos tucanos, a posição do partido foi motivada pela convicção que “todo e qualquer cidadão tem direito à ampla defesa e ao contraditório”.

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Ainda na nota, a legenda afirma que a atuação do partido “não é parte de qualquer acordo relacionado à votação da denúncia contra o presidente da República na Câmara dos Deputados”.

Já próximo do fim, a mensagem do PSDB diz que o partido tem um “compromisso contra a impunidade”, afirmando que a legenda defende “a ampla investigação de toda e qualquer denúncia devidamente fundamentada contra quem quer que seja, inclusive membros do partido.”

A nota surge após notícias de que Temer teria agido diretamente junto aos senadores e colegas de partido Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente do Senado, e Romero Jucá (PMDB-RR), lídero do governo na casa, que teriam se movimentado para garantir os votos necessários para revogar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), devolvendo o mandato no Senado à Aécio Neves.

Segundo informações do portal G1, o presidente teria celebrado o resultado da votação que salvou Aécio em um jantar com o João Doria (PSDB-SP), prefeito de São Paulo e um dos principais nomes da seção paulista da legenda.

Ainda de acordo com a jornalista, o próprio senador teria ligado para Temer para agradecer pelo apoio que lhe devolveu o mandato.

Unidos pelo desespero de tempos difíceis, Temer e Aécio tentam reestabelecer a união que aproximou o PMDB e o PSDB desde o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), em meados de 2016. Após a queda da petista, motivada pela ajuda dos tucanos durante o processo, o PSDB se aproximou do governo, ganhando cadeiras em ministérios e uma voz ativa no governo de Temer.

Com os escândalos que se acumularam na gestão peemedebista, a relação entre as duas legendas se desestabilizou, e o PSDB chegou muito perto de abandonar a base, o que representaria um grande revés político para Temer. Agora, com a reaproximação em um momento crítico tanto para Temer quanto para Aécio, os partidos parecem caminhar para uma reconcilião temporária, que pode ser rompida de forma denitiva com a aproximação da campanha presidencial de 2018, onde o tucanato deve lançar um candidato próprio e tentar se descolar do impopular governo Temer, que hoje registra lamentáveis 3% de aprovação.