Michel Temer tem passado momentos de intensa articulação e pressão desde que foi denunciado pela primeira vez pelo até então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Agora, essa situação está em vias de se encerrar, com a votação na Câmara dos Deputados da segunda denúncia contra o peemedebista encaminhada pela Procuradoria Geral da República (PGR). A sessão para definir o futuro de Temer deve ser realizada na próxima semana.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), primeira frente a analisar a denúncia, decidiu na última quarta-feira (18) aprovar o relatório do deputado-relator, Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), que sugeria o arquivamento da denúncia.

39 deputados da comissão votaram com o relator. Já 26 foram favoráveis a dar continuidade ao processo. Na primeira denúncia envolvendo Temer, ao passar pela análise da CCJ, em julho, os votos a favor de Temer foram um pouco mais, 41.

Alguns partidos mudaram sua posição com relação a primeira e a segunda denúncia. Temer perdeu o apoio de dois votos do PSB, um do DEM e outro do PP. Por outro lado, ganhou um voto a mais do PR e do PRP.

Números

Para que a denúncia seja aprovada pelo plenário da Câmara dos Deputados, são necessários pelo menos 342 votos dos 513 possíveis. Na votação da primeira denúncia, em agosto, foram contabilizados apenas 263 votos favoráveis à continuidade da denúncia.

Apesar da popularidade quase que insignificante de Temer, 3%, segundo a última pesquisa Datafolha, os escândalos envolvendo nomes fortes de seu governo e as medidas impopulares do próprio peemedebista, a expectativa é que ele consiga escapar novamente com a bênção dos deputados.

A única diferença é que o apoio de sua base aliada deve ser um pouco menor, mas nada que chegue a assustar o Planalto.

Um dos principais opositores a Temer na Câmara dos Deputados, Júlio Delgado, líder da bancada do PSB, disse acreditar que são de apenas 15% as chances de se aprovar a denúncia contra o peemedebista.

Relação PSDB x Temer

A relação entre PSDB e o governo é sempre uma incógnita. Em ambos os lados, existem grupos a favor e contra a união. Da parte do PSDB, os tucanos mais jovens, conhecidos como cabeças pretas, são favoráveis ao desembarque do governo temendo sofrer com a impopularidade de Temer nas próximas eleições. Já por parte do governo, a base aliada composta pelo Centrão é contra o espaço dado ao PSDB no governo - quatro ministérios. A repórter da Globo News e do G1, Cristiana Lôbo, já disse que a presença do PSDB no governo é considerado por Temer como um troféu.

Nessa segunda denúncia que será analisada próxima semana, a expectativa da bancada do PSDB é que continue dividida.

Na primeira votação, foram 22 deputados favoráveis a Temer e 21 contra. O líder dos tucanos na Câmara, deputado Ricardo Tripoli (SP), em entrevista ao Estadão, afirmou que os votos serão mantidos para a segunda denúncia. E completou que a bancada deve ser liberada, como já havia acontecido em agosto.

O principal ponto de preocupação do governo é o PSDB de São Paulo. Com 12 cadeiras na Câmara, os tucanos paulistas deram 11 votos contra Temer e apenas um a favor. Isso fez com que Geraldo Alckmin, principal liderança do PSDB em São Paulo, tentasse intervir em favor de Temer. Mas a rejeição dos deputados foi tão forte que o governador de São Paulo já logo encerrou as tratativas.

Base Aliada

A base aliada de Temer acredita que o apoio ao peemedebista não será o mesmo nessa segunda denúncia por três motivos:

- O governo não teria cumprido todas as promessas feitas após a primeira votação que livrou Temer.

- Eliseu Padilha e Moreira Franco também seriam salvos caso Temer fosse

- Não existe medo de punição, já que os deputados que "traíram" o governo na primeira votação não foram punidos.