Discussões em salas de interrogatório e até mesmo em audiências são comuns em todo o Brasil. Muitas vezes, o réu se comporta de maneira estranha ou pelo menos dá a entender isso.

Diante de determinadas questões que são colocadas pelo juízes ou pelo Ministério Público, por exemplo, é mais do que suficientes para esquentar os ânimos e exaltar os nervos.

Nesta segunda-feira (23), o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabra,l simplesmente se envolveu em uma discussão com ninguém menos que Marcelo Bretas, juiz federal desde 1997 e que atualmente atua na 7ᵃ Vara Federal Criminal do Rio.

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Em determinado momento, Cabral fez questão de resumir a denúncia que respondia como "um roteiro mal feito de corta e cola".

"Não quero que o senhor conte história da minha família ou o que aferiu a meu respeito", afirmou o ex-governador.

A fala foi dita logo após ele responder às perguntas iniciais sobre a procedência da compra de joias com o dinheiro de Propina.

Sérgio Cabral ainda em depoimento chegou não obstante a acusar o próprio juiz. Ele disse que o juiz Marcelo Bretas fala de uma maneira ''desdenhosa''. Tomando a posição que lhe é cabida, o juiz rebateu a fala: ''Aqui não há desdém"

''Comprei joias com caixa 2''

Sérgio Cabral reforçou: ''Comprei joias com fruto de caixa dois, não foi de propina''.

Ainda chegou a dizer que seu governo não foi uma organização criminosa, que ele mudou a vida de milhões de brasileiros que moram no Rio de Janeiro e que, por isso, não se sente chefe de organização criminosa nenhuma.

O ex-governador reclamou da parcialidade do juiz e disse que ele não acredita nele e que a primeira denúncia já tinha as mesmas acusações que as posteriores.

"Eu estou sendo injustiçado. O senhor está encontrando em mim uma possibilidade de gerar uma projeção pessoal, e me fazendo um calvário, claramente", foi uma das falas de Sérgio Cabral e que chamou a atenção durante seu depoimento.

"Não havia assim os chamados 5% de propina nas grandes obras de acordo com acusação", defendeu-se Cabral.

As lágrimas do arrependimento?

Sérgio Cabral não resistiu e chorou ao justamente falar que as mudanças de financiamento de campanha são prejudiciais à política. Igualmente, em depoimento anterior, Sérgio Cabral chegou a chorar diante do juiz Marcelo Bretas.

''Por mais que tenha me exasperado com o senhor (Bretas) aqui, por mais que ache injustiça o que o MP faz, que fique indignado com as matérias que saem nos jornais, prefiro muito mais ser acusado num sistema democrático, ser massacrado, do que um sistema autoritário”, ressaltou Cabral visivelmente emocionado.

Cabral foi preso por ordem do juiz Sérgio Moro por suspeitas de desviar dinheiro federal em obras que realizou durante o seu mandato. A bomba veio veio à tona após uma delação premiada de Fernando Cavendish (Delta) e de outros empresários de firmas de engenharia.