Nesta terça-feira (24), o procurador da República Deltan Dallagnol participou do Fórum Estadão em parceria com o Centro de Debate de Políticas Públicas (CDPP), em São Paulo. No evento, Dallagnol abordou os impactos que a Lava Jato alcançou com relação ao combate à corrupção em comparação à operação italiana, Mãos Limpas, investigação que ocorreu na década de 1990.

O coordenador da força-tarefa fez questão de alertar que mesmo com a credibilidade da Lava Jato, o dinheiro continua circulando em malas. Além da crítica direcionada aos corruptos de colarinho branco, o procurador também evidenciou os ministros da Suprema Corte ao reprovar a falta de seriedade das solturas dos presos.

Na verdade, ele demonstrou total descontentamento com as deliberações oriundas do Supremo Tribunal Federal (STF).

Todavia, segundo Dallagnol, os políticos brasileiros permanecem com a mesma ideologia [VIDEO], ou seja, estão elaborando leis em causa própria. Entretanto, ainda há alternativas para mudanças através das eleições de 2018, o procurador defendeu a descoberta de deputados e senadores com passado sem maquiagem além de preferência democrática e, sem dúvida, inclinação para o combate à corrupção.

Dallagnol foi categórico e admitiu sentir medo do ano eleitoral. Segundo ele, os brasileiros podem estar sofrendo pela falta de elucidação necessária, o que naturalmente poderá refletir em prejuízos em um futuro próximo.

O procurador sugeriu que o ano eleitoral seja propício a um grande salto contra a corrupção.

Desta forma, a sociedade poderá eleger seus parlamentares com cautela, a fim de que a pauta relacionada à anticorrupção deixe de ser apenas um projeto engavetado pelo Congresso Nacional. Ademais, o coordenador da Lava Jato salientou que a desesperança causa o perecimento da vida.

O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato, [VIDEO] também compareceu ao evento e logo explicitou sua teoria, afirmando que o foro privilegiado concedido aos parlamentares deve ser modificado com urgência, caso contrário será, de fato, um desvirtuamento da função dos ministros da Suprema Corte.

Moro esclareceu que o "desvirtuamento" existe no STF, uma vez que os ministros têm que se comprometer com assuntos aplicáveis ao caso concreto e não aos temas constitucionais que interferem diretamente na sociedade, causando, dessa forma, a dissipação de tempo.