Uma anotação nos arquivos contábeis encontrada no departamento de propinas da empreiteira Odebrecht parece complicar ainda mais a situação do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, principalmente, em relação ao apartamento de número 121. Vale ressaltar que esse imóvel é um apartamento vizinho ao do ex-mandatário do país, na cidade de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo.

Um rastreamento feito a partir de arquivos que continham uma equação matemática acabou resultando em uma solução que surpreendeu aos investigadores da Operação Lava Jato, que é considerada a maior de combate à Corrupção na história do país.

O responsável pelos julgamento em primeira instância é o juiz Sérgio Moro, a partir da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Equação 'secreta' nos arquivos da Odebrecht

Com o desdobramentos das investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato, em se tratando do departamento de propinas da maior empreiteira do país, a Odebrecht, a Polícia Federal se debruçou sobre como poderia decifrar uma equação parecia a princípio muito complexa, mas que acabou sendo descoberta pelos investigadores.

Essa fórmula ou equação decifrada possibilitou que a força-tarefa da Operação Lava Jato conseguisse rastrear a compra em nome de um "laranja" do apartamento de número 121, que é um imóvel vizinho ao do ex-presidente Lula.

De acordo com as investigações, o registro associado a esse imóvel, através das descobertas no sistema de arquivos da empreiteira Odebrecht, correspondia à numeração "12.422" e "Prédio IL".

Os registros se referiam ao Instituto Lula, que pertence ao ex-presidente da República.

O registro encontrado, conforme dados apresentados na conta corrente da propina da Construtora Odebrecht com o PT e baseado na "Planilha Italiano", tornou possível aos técnicos e peritos da Operação Lava Jato, sediada em Curitiba, a demonstrarem perante a Justiça que a compra do apartamento localizado no Edifício Hill House, em São Bernardo do Campo, em nome de um "laranja" e vizinho ao apartamento residencial de Lula, foi adquirido através de dinheiro oriundo da máquina de fazer propinas da empreiteira.

A equação: ((3* 1057) + 8217 + 1034) = 12.422 constava nos arquivos cifrados do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht. O mas intrigante é que estava no mesmo registro de valores do codinome "Amigo", atribuído a Lula. Ao conseguir decifrar a fórmula, a força-tarefa da Lava Jato pôde relacionar o apartamento ocupado por Lula à corrupção. De acordo com as conclusões dos investigadores, o valor R$ 12,4 milhões se refere à propina, conforme o resultado da equação.