O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concedeu uma entrevista ao Estadão e falou sobre diversos fatores que envolvem a Operação Lava Jato, inclusive relembrou que foi o único ministro que já foi em Curitiba visitar o juiz federal Sérgio Moro [VIDEO], demonstrando total apreço pelo seu trabalho.

Alexandre de Moraes foi questionado se o Congresso estaria tentando criar manobras para "enfraquecer" a Lava Jato e o que ele achava sobre a Operação mais famosa do Brasil contra a corrupção.

Segundo Moraes, a Lava Jato está fazendo um belíssimo trabalho e a visita dele ao juiz já demonstra o quanto ele valoriza a dedicação da força-tarefa de Curitiba.

O ministro também afirmou que não acredita que os parlamentares queiram atrapalhar a Lava Jato, ainda mais em tempos próximos de eleições, o que seria prejudicial para eles.

Moraes falou que a Operação vai firme até o fim e o Congresso não pode, constitucionalmente, afetar nenhuma das garantias da magistratura e do Ministério Público Federal (MPF). Moraes afirmou que é necessário agir com muita rapidez, condenar os corruptos e absolver aqueles que são inocentes.

Polêmica

Uma das peguntas feitas ao ministro é aquela que muitas pessoas gostariam de fazer, mas não têm oportunidades. O jornal quer saber porque que a primeira instância já condenou vários réus da Lava Jato, mas o STF não consegue definir a pena de um único político.

Moraes falou que isso é uma comparação injusta. Ele comentou que o procurador-geral deve oferecer a denúncia para que exista o processo.

De acordo com o ministro, de todas as delações já firmadas com o ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, até agora, não foi oferecida nenhuma denúncia.

O ministro afirmou que essas suas palavras não são críticas à Polícia Federal e nem ao MPF, pois entende que eles possuem trabalhos em excesso. Mas no momento em que as denúncias forem oferecidas, o Supremo agirá com rapidez.

Prisão em segunda instância

Em relação ao tema prisão em segunda instância, Moraes defende que o STF defina logo o seu entendimento para que não exista desonestidade com os suspeitos de crimes. Um pensa de um jeito, outro pensa de uma forma oposta. Um ministro solta e o outro entende que o suspeito deve ficar preso até o julgamento, quando se esgotarem todos os recursos. "Isso não é Justiça, é loteria", ressalta.

Moraes não confirmou se votaria a favor ou contra a prisão em segunda instância e deixou uma interrogação no ar.