Com data marcada para a votação da segunda denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB), o governo tenta agora angariar novamente os votos necessários para barrar a denúncia na Câmara e impedir que ela chegue até o Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quarta-feira, dia 18, Temer conseguiu sua primeira vitória na casa, quando a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou por 39 votos favoráveis contra 26 contrários (e uma abstenção) o relatório do deputado Bonifácio Andrada (PSDB-MG), que propõe que a denúncia contra o presidente seja rejeitada.

CCJ tem debates entre governo e oposição

A animosidade entre governo e oposição começou a transparecer já nesta terça e quarta-feira, quando os deputados da CCJ debateram por horas.

Autor do relatório que rejeita a denúncia, Bonifácio Andrada atacou a Procuradoria-Geral da República (PGR), afirmando que o órgão realiza um "ataque generalizado aos homens públicos do país, sem distinção". Do lado da oposição, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) defendeu o prosseguimento da denúncia, afirmando que Temer e seus aliados são "uma quadrilha de criminosos". As informações são do portal G1.

Apesar da decisão da CCJ, o destino da denúncia contra Temer será decidido no plenário da Câmara, em votação marcada para a próxima quarta-feira, dia 25, em data confirmada pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Temer e aliados iniciam nova operação para barrar denúncia

Disposto a conseguir uma nova vitória no Congresso, o presidente e seus aliados iniciaram mais uma megaoperação para garantir que a denúncia seja barrada.

Uma das estratégias utilizadas pelo governo para garantir o apoio maciço da base aliada e evitar uma surpresa desagradável consta na liberação de cargos públicos aos deputados do chamado “centrão”, que une parlamentares de partidos como o PP, PR, PTB e PRB. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

De acordo com o diário paulistano, a medida do governo visa permitir que deputados assumam postos regionais de orgãos como o Ibama, o Banco do Nordeste e outros. A medida já havia sido negociada na ocasião da primeira votação contra Temer, em agosto, onde os deputados do “centrão” ajudaram o presidente a barrar a denúncia com 236 votos favoráveis ante 227 contrários.

Antes estagnados em virtude de processos burocráticos e da nomeação dos indicados, os cargos agora começaram a ser liberados pelo governo após uma ameaça dos deputados de que poderiam abandonar o barco e deixar o governo à própria sorte na votação.

Caso a denúncia seja aprovada e prossiga para o Supremo Tribunal Federal (STF), Temer pode encarar um processo de impeachment similar ao que demoveu sua antecessora e ex-superiora Dilma Rousseff (PT) da presidência da República.

Também para convencer os deputados, Temer e sua equipe distribuiram nesta semana uma carta a todos os parlamentares onde afirma ser vítima de uma “conspiração” para derrubá-lo do cargo [VIDEO].

A denúncia

Apresentada em setembro pelo ex-procurador -geral da República, Rodrigo Janot, a denúncia acusa Temer de participação em organização criminosa e obstrução da Justiça. O presidente é acusado de ter liderado um grupo de deputados e políticos do PMDB com o intuito de desviar verbas através de contratos com empresários, como os delatores e atualmente detidos Joesley e Wesley Batista, da JBS.

De acordo com a denúncia da Procuradoria-Geral da República, os esquemas de corrupção em que o Temer está supostamente envolvido teriam beneficiado o presidente em mais de R$ 500 milhões provenientes de Propina. A defesa do presidente nega as acusações.

O processo

Antes da votação, os deputados da CCJ e outros que desejarem falarão sobre o processo contra Temer. Para que a denúncia seja aprovada, são necessários 2/3 de votos contrários ao relatório que rejeita a denúncia para que ela prossiga ao STF e seja investigada, representando um mínimo de 342 votos dos 513 deputados que compõe a Câmara.