Em alta após o pleito presidencial de 2014, quando esteve muito perto de dar fim à hegemonia petista na presidência, Aécio Neves estava em evidência e era apontado como um candidato natural às eleições de 2018. No entanto, ele entrou em uma espiral de acontecimentos negativos que envolveu prisão de parentes próximos, acusações de corrupção e perda de mandato no Senado por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), o que só veio a ser anulado nesta terça-feira, dia 17,

O plenário do Senado decidiu, por 44 votos a 26, a anulação da decisão da Primeira Turma do STF e devolveu o mandato ao senador Aécio Neves, que já está liberado para exercer suas funções.

O candidato derrotado em segundo turno à presidência em 2014 precisava de 41 votos, e conseguiu superar a margem com mais três.

Em nota liberada por sua assessoria de imprensa, Aécio destacou que recebeu com "serenidade" o resultado da votação que faz com que seu mandato seja devolvido.

"Recebo com serenidade a decisão do plenário do Senado que devolve o mandato conferido por mais de 7 milhões de mineiros. A decisão reestabelece os princípios democráticos, garantindo a representação popular e o processo legal. Assim está assegurada a oportunidade da apresentação da defesa para comprovar à Justiça as alegações falsas que foram feitas", destacou o comunicado.

Aécio foi implicado nas delações realizadas por empresários da JB&F dentro das investigações da Operação Lava-Jato. Com isso, o tucano foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu provisoriamente o seu mandato parlamentar.

A denúncia da PGR era sobre os crimes de corrupção passiva e obstrução da Justiça.

De acordo com a investigação promovida pela PGR, Aécio teria pedido 2 milhões de reais para empresários da JBS. O órgão também apontou que, assim como o presidente Michel Temer [VIDEO], o senador trabalhou para barrar os avanços da Lava-Jato. Desde o início das acusações, Aécio tem negado veementemente e ainda se diz como "vítima de armação".

Votação em plenário causou polêmica

Em um primeiro momento, houve indefinição sobre a maneira como a votação no plenário do Senado [VIDEO] deveria proceder. Assim que o STF determinou que a "última palavra" sobre a manutenção ou não do mandato deveria ser dos parlamentares, havia a dúvida se a votação poderia ser secreta ou não. Alexandre de Moraes, ex-ministro da Justiça e atual ministro do STF, determinou que ela fosse aberta.

Segundo o portal G1, aliados e interlocutores de Aécio Neves gostariam que a votação fosse secreta, mas o próprio presidente da Casa, Eunício Oliveira (PMDB-CE), fez questão de destacar que já tinha decidido votação aberta antes mesmo da resolução do ministro Moraes.

Por volta das 17h desta terça-feira teve início a votação que, ao final, deliberou pela volta do mandato do senador temporariamente afastado. Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Paulo Bauer (PSDB-SC), por exemplo, foram ao plenário votar para dar quórum à sessão, mesmo estando ambos de licença médica.

Os partidos DEM e PSD foram as únicas siglas que deixaram seus membros livres para votarem como bem entendessem. Das legendas maiores, o PT, por exemplo, orientou votação a favor da Primeira Turma do STF, logo, contra o mandato de Aécio Neves. Já o PMDB e PP orientaram a bancada a votar "não", isto é, contra o afastamento definitivo.

Na hora da votação, os parlamentares tiveram a oportunidade de discursar contra ou a favor de Aécio. Alguns favoráveis ampararam sua oratória à defesa da Constituição, não necessariamente à figura política do senador tucano Aécio Neves.