Geraldo Alckmin (PSDB), governador de São Paulo, e João Doria (PSDB), prefeito de São Paulo, estão em uma batalha intensa (e interna) para determinar quem será o representante tucano no pleito presidencial de 2018. Enquanto o governador já assumiu diversas vezes publicamente a vontade de ser candidato à Presidência da República novamente, o prefeito insiste em desviar o assunto, mesmo quando realiza viagens e encontros com fins eleitorais pelo Brasil e pelo mundo. Mas por que não uma chapa Alckmin/Doria?

Foi Geraldo Alckmin quem defendeu e apostou em Doria na eleição para a Prefeitura de São Paulo no ano passado. Até então, o "gestor" encontrava grande rejeição no próprio PSDB de São Paulo.

Boa parte dos tucanos paulistas preferiam Andrea Matarazzo, ao invés do então empresário. Doria chegou a ser acusado de crimes eleitorais durante as prévias do partido. O governador bateu na mesa e assumiu a bronca de eleger Doria, confiando que São Paulo continuaria sendo o quintal do PSDB. E assim o fez.

Ambicioso que é, Doria logo viu um espaço a ser preenchido na política brasileira. Com a provável impugnação da candidatura de Lula, nenhum candidato chega perto de ser favorito no pleito presidencial do próximo ano. A crise que o País vive também criou uma onda de rejeição com a classe política. Foi aí que João Doria abriu as asas e se apresentou como "gestor", não como político. E mais, os olhos brilharam tanto com o sucesso de marketing que foi em seus primeiros meses que começou a vislumbrar sentado no Planalto.

Mas a política tem suas intempéries.

Para tentar manter ainda alguma unidade entre governo e prefeitura, o Palácio dos Bandeirantes já discutiu a sério uma chapa puro sangue do PSDB de São Paulo. Nela, Alckmin seria candidato à Presidência da República e Doria seu vice. O problema é que essa ideia não foi bem recebida internamente, nem com possíveis aliados do partido. Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, um dirigente do DEM chamou a chapa de "suicida". Para ele, ambos iriam ser internados.

Internamente, existe um claro racha entre o PSDB de São Paulo e a ala nacional que ainda insiste em seguir Aécio Neves. O senador mineiro ainda não apontou nenhum possível candidato de sua preferência, mas de forma alguma apoiaria uma chapa apenas do PSDB de São Paulo, canalizando toda a força do partido apenas em uma ala que não seja a sua.

Alckmin presidente (do PSDB)

Geraldo Alckmin parece ser o salvador e última esperança do PSDB. Pelo menos é assim que pensa boa parte dos tucanos.

Além de preferido para ser candidato à Presidência da República próximo ano, uma ala defende que o governador de SP também seja o presidente nacional do PSDB. Rachado na disputa interna, com grupos que querem a saída imediada de Aécio da presidência, e o senador insistindo em se manter até dezembro, o medo dos tucanos é que essa polaridade atrapalhe na eleição presidencial.

O presidente interino do partido, senador Tasso Jereissati (CE), deve disputar a presidência interna com o governador Marconi Perillo (GO). Quando Aécio foi afastado, o nome de Jereissati agradava a grande maioria dos tucanos, porém o senador tentou deixar suas digitais no partido em pouco tempo, o que acabou assustando alguns tucanos. Tasso deu declarações firmes contra Aécio, defendeu o desembarque do governo Temer e se alinhou aos deputados mais jovens, o que fez com que ele perdesse algum apoio.

Um grupo de tucanos busca uma terceira vertente para entrar na eleição, e o nome de Alckmin é o preferido. Segundo informações da Folha de S. Paulo, Geraldo Alckmin não é muito simpático a essa empreitada. Ele está completamente focado em sua possível candidatura à presidente da República e não quer ter mais esse problema para resolver.