Alguns dos mais respeitados integrantes da força-tarefa de combate à Corrupção e que inspirou exponencialmente a Operação Lava Jato no Brasil, através da Operação Mãos Limpas, da Itália, se manifestaram contundentemente a respeito da luta diária contra os crimes relacionados à corrupção e o que significou a operação que é modelo para a maior operação de combate à corrupção na história contemporânea do Brasil.

Entretanto, há uma triste constatação por parte de procuradores italianos altamente reconhecidos por todo o trabalho desempenhado na Operação Mãos Limpas. Piercamillo Davigo, presidente da seção criminal da Corte de Apelação (Supremo Tribunal Italiano) e seu colega Gherardo Colombo, que também atuou como ministro do tribunal italiano, acreditam fielmente que a corrupção não foi estancada no país europeu.

Os dois procuradores trabalhavam para a força-tarefa de procuradores federais da Mãos Limpas, em Milão, no Norte da Itália.

Visões distintas no combate ao crime de corrupção

O grupo de trabalho que contava com os dois procuradores da Operação Mãos Limpas, Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo, acabou provocando um verdadeiro terremoto político em seu país durante o período em que foi deflagrada a operação que inspirou a Lava Jato no Brasil. Um dos resultados mais relevantes de toda a investigação é que cinco partidos políticos da Itália simplesmente desapareceram durante as eleições de 1994 no país, já que não tinham mais musculatura política, não conseguiam mais angariar votos perante à sociedade italiana. Toda a experiência vivenciada pelos procuradores italianos deverá ser relatada no Brasil ao participarem do Fórum Estadão Mãos Limpas e Lava Jato.

O evento que irá se concretizar no próximo dia 24 deste mês, contará com a associação entre o Grupo Estado e o Centro de Parceria de Políticas Públicas.

Uma das presenças mais marcantes do evento será como o juiz federal Sérgio Moro, titular da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná, e responsável em primeira instância pela condução dos trabalhos de julgamento da Operação Lava Jato. Além de Moro, também estará presente no evento, o coordenador-geral da força-tarefa e procurador da República, Deltan Dallagnol.

Entretanto, vale ressaltar que os procuradores italianos Colombo e Davigo possuem uma visão um pouco diferenciada em relação ao combate a crimes relacionados com a corrupção. O primeiro considera a educação como algo fundamental, como estratégia para enfrentar o fenômeno.

Já o segundo procurador acredita que deveriam ser adotadas medidas legais com o intuito de desestimular a prática corruptiva. Enquanto Colombo afirma enfaticamente, que processos judiciais, embora acarretem muito barulho, acabam dando muito pouco resultado, Davigo discorda desse posicionamento do colega.

Segundo ele, se é algo conveniente, comportar-se bem, aumenta-se o número dos que assim o fazem. Porém, se convém comportar-se mal, aumenta-se o número dos que atuam nessa prática, independentemente da educação.