O ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em julho desse ano, durante entrevista, citou o nome do ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, como um possível plano B, caso ele fosse condenado em segunda instância e não pudesse disputar as eleições presidenciais em 2018. Coincidência ou não, após a fala de Lula, Haddad aumentou a frequência de suas viagens pelo país. Internamente, Lula é o único a falar abertamente de Haddad como um plano B.

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O discurso comum entre os petistas é o de que o ex-presidente seria o plano A, B e C.

Haddad vê seu nome especulado como alguém capaz de trazer para o PT parte de um eleitorado que o partido havia perdido. Outra especulação envolvendo o nome de Haddad é que ele seria candidato em São Paulo a uma vaga no Senado. Essa opção é defendida pelo presidente estadual do PT, Luiz Marinho.

Em entrevista ao UOL neste último final de semana, Haddad afirmou nunca ter se imaginado no Legislativo.

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As duas eleições em que o petista participou foi para o Executivo, ambas para prefeito de São Paulo. Na primeira, conseguiu se eleger. Já no ano passado, em meio à crise de imagem do PT, Haddad ficou no olho do furacão e não conseguiu a reeleição, perdendo para João Doria ainda no primeiro turno.

Doria e Bolsonaro

Fernando Haddad pode não se colocar como candidato ao pleito presidencial do próximo ano, mas tem uma opinião bastante contundente sobre dois dos principais candidatos: João Doria e Jair Bolsonaro.

Na opinião do ex-prefeito, ambos têm utilizado o discurso de ódio oportunista para ganhar destaque e não sair dos holofotes.

Segundo Haddad, Bolsonaro e Doria ocupam um mesmo espaço no cenário político. Para ele, ambos se alimentam do ódio e pregam a visão mais extremista. Haddad definiu essa atuação como uma simples tentativa de angariar votos, sem pensar nas consequências dos seus atos. E completou dizendo que esse não é o tipo de postura que o Brasil precisa.

Haddad também criticou a onda conservadora que se alastra no País. Chegou afirmar que Bolsonaro e Doria surfam nesse movimento, que deveria ser uma "pauta vencida". Segundo o petista, é de se lamentar esse momento vivido em nossa sociedade, pois "nós estamos regredindo 200 anos". E concluiu dizendo que a liberdade sexual, religiosa e respeito pela cor da pele são direitos civis básicos.

Na última pesquisa Datafolha, divulgada em setembro, Bolsonaro e Doria ocupavam o 2º e 4º lugares, respectivamente. O deputado federal possuía 16% das intenções de voto. Já o atual prefeito marcava 8%.

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Reforma política

Fernando Haddad também comentou sobre um antigo tema durante sua entrevista ao UOL: reforma política. Segundo o ex-prefeito de SP, PT e PSDB erraram ao não terem feito uma reforma política antes. Haddad afirmou que Fernando Henrique Cardoso e Lula tinham prestígio suficiente no Congresso para tentar passar uma reforma política. O petista afirmou que não era difícil de se imaginar que o sistema político brasileiro iria implodir, mais dia, menos dia.

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Haddad afirma que ambos os partidos deveriam ter tomado a frente da situação, já que são as referências dos dois polos, e dialogado. Porém, na opinião do ex-prefeito, não havia diálogo entre petistas e tucanos, então não foi possível resolver a situação antes dela chegar ao caos.

Sobre o Fundão eleitoral com dinheiro público, Haddad disse considerar a melhor opção. O petista criticou o antigo método utilizado, as doações empresariais. Para ele, existia um lado "oculto", que seriam as barganhas dos empresários para as doações. Segundo ele, o fim do financiamento empresarial evita a necessidade de novas Lava Jatos.

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