O juiz Sérgio Moro se manifestou, de modo enfático e com grande contundência, em relação à situação de julgamento de processo e medidas que permeiam a realidade do Poder Judiciário no Brasil. Sérgio Moro é o juiz titular da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná, e é responsável pelo julgamento em primeira instância das ações investigadas pela força-tarefa da Operação Lava Jato [VIDEO].

A Lava Jato é considerada a maior operação de combate à Corrupção na história contemporânea do país e é considerada uma das maiores de todo o mundo. A força-tarefa de investigação apura crimes relacionados à corrupção e rombos bilionários que acabaram resultando na sangria dos cofres públicos da maior estatal brasileira, a Petrobras.

Serial killers

O juiz Sérgio Moro, ao fazer uma análise aprofundada, a respeito dos crimes relacionados à corrupção no Brasil, principalmente, em se tratando da corrupção sistêmica, como nos casos referentes ao denominado Petrolão, afirmou que as prisões preventivas de suspeitos de se beneficiarem pela prática de corrupção poderiam estar seguindo uma lógica parecida em relação àqueles acusados de serem serial killers, ou seja, matadores em série, antes da concretização do julgamento em uma fase final.

Em uma clara defesa das medidas cautelares, Sérgio Moro concluiu que essas medidas teriam como principal objetivo, proteger a sociedade brasileira e as vítimas de novos crimes que possam vir a ocorrer. O magistrado paranaense foi incisivo ao afirmar que poderia fazer uma espécie de comparação com uma situação considerada como algo que é muito visto no cinema: os casos de serial killers.

Não haveria que esperar o assassino ser preso no final do julgamento, para que haja uma nova vítima.

Entretanto, ocorrem divergências entre o magistrado e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), muitos dos quais são suscetíveis ao entendimento de que a prisão preventiva seja desnecessária. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, já havia criticado certa vez as prisões preventivas na Lava Jato, ao apontar que seriam alongadas.

Sérgio Moro concedeu entrevista ao canal GloboNews, apresentada na noite desta terça-feira (17). Moro foi ainda mais longe ao considerar que esse mesmo raciocínio existiria para a corrupção sistêmica, já que os criminosos cometiam esses crimes de maneira considerada sistemática e por reiteradas vezes, o que levaria à necessidade de um instrumento muito drástico para o impedimento da prática desses crimes.

Como exemplo, o juiz Sérgio Moro mencionou o ex-ministro José Dirceu, sem, no entanto, nomeá-lo. Em se tratando do ex-ministro petista, ele teria recebido altas somas de propinas, mesmo durante o período em que estava sendo julgado no processo do Mensalão.

Já em relação aos acordos de colaboração premiada, Sérgio Moro afirmou que seria uma proposta absurda a tentativa de impedimento de pessoas presas de fazerem acordos de colaboração premiada juntamente à Justiça. Ao ser indagado sobre a situação de condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um dos processos, Moro afirmou que não comentaria sobre isso, já que haveriam outros processos pendentes contra o ex-presidente e que ainda estariam em andamento.