Dois dos principais protagonistas da Operação Lava Jato, considerada a maior operação de combate à Corrupção na história contemporânea do país, resolveram se manifestar, de modo contundente, em relação ao atual momento da operação e os desafios na luta diária contra a corrupção, principalmente, em se tratando da atual conjuntura política e o cenário tenebroso enfrentado pelo país. As manifestações sobre a situação da Operação Lava Jato foram expressadas pelo juiz federal Sérgio Moro e pelo coordenador geral da força-tarefa de investigação, o procurador da República Deltan Dallagnol.

Vale ressaltar que o juiz Sérgio Moro é o titular da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná, e conduz os julgamentos em primeira instância dos crimes relacionados a rombos bilionários nos cofres públicos da maior estatal brasileira, a Petrobras.

Combate à corrupção e o papel da Lava Jato

A Operação Lava Jato se encontra em seu quinto ano seguido em se tratando de investigações que apuram crimes na corrupção. Entretanto, não se pode afirmar que o grave quadro de corrupção no Brasil continue inalterado. Compartilham dessa opinião, o juiz Sérgio Moro e o coordenador-geral da Lava Jato, Deltan Dallagnol.

De acordo com o que pensam o magistrado e o procurador da República, todo o sucesso do combate à corrupção dependerá exponencialmente de todo o apoio da sociedade e de como será a reação da própria população em relação a tudo o que vem ocorrendo no país.

O juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol deverão participar do Fórum Mãos Limpas e Lava Jato, em que os assuntos a serem abordados, retratarão o combate à corrupção no Brasil e também na Itália.

Além de Moro e Dallagnol, também estarão presentes no evento, os magistrados que fizeram parte da Operação Mãos Limpas, há 25 anos, a partir de Milão, na Itália, Piercamillo Davigo e Gherardo Colombo.

Em recente manifestação sobre a Lava Jato, o juiz Sérgio Moro, ressaltou que apesar de toda a sombra e riscos de retrocesso, não se poderia afirmar que não houve mudanças no quadro de impunidade para esses crimes. O magistrado argumentou ainda que tanto a Operação Lava Jato quanto o escândalo de compra de votos de parlamentares, durante o ano de 2005, denominado de Mensalão, seriam parte de um ciclo de combate à impunidade de pessoas poderosas. Já para o coordenador-geral da força-tarefa em Curitiba, procurador Deltan Dallagnol, a grande virtude das duas operação de combate à corrupção, Lava Jato no Brasil e Mãos Limpas na Itália, seria a realização de um amplo diagnóstico da podridão do sistema político.