Com a corda no pescoço diante de uma enxurrada de denúncias, o presidente Michel Temer (PMDB-SP) se mostra disposto a qualquer medida que agrade as bancadas de deputados que irão decidir o seu futuro, inclusive aprovar novas regras que dificultam a fiscalização e a punição do trabalho escravo. Tal medida visa agradar em cheio a forte bancada ruralista, que pode ser decisiva para sua permanência na presidência da República.

De acordo com o portal de notícias online do jornal 'Extra', tais mudanças nas regras e leis sobre o trabalho análogo à escravidão foram feitas justamente no momento em que a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer [VIDEO] chegou à Câmara dos Deputados.

Os maiores beneficiados com esta atitude retrograda são os parlamentares que fazem parte da bancada ruralista, que vem sendo agraciada com várias medidas nos últimos meses.

Segunda denúncia contra Michel Temer

Nesta terça-feira (17), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara começou a discutir o parecer sobre a segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra o presidente. Ele é acusado de organização criminosa e obstrução de Justiça. Na opinião do relator Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), a denúncia deve ser arquivada.

Conspiração?

Nesta segunda-feira (16), Temer enviou uma carta aos deputados federais afirmando que está sendo vítima de uma conspiração para tirá-lo da presidência do Brasil. Segundo Michel, ele vem sendo achacado com denúncias infindáveis e que as provas contra ele são forjadas.

“Jamais poderia acreditar que houvesse uma conspiração para me derrubar da Presidência da República. Mas os fatos me convenceram. E são incontestáveis”, diz Temer aos parlamentares.

Vale tudo para se manter no poder?

Embora o ministro da Agricultura Blairo Maggi (PMDB-MT) tenha aplaudido as mudanças nas leis e regras sobre o trabalho escravo e feito até uma piadinha a respeito, em que ele afirmou que "ser penalizado por questões ideológicas ou porque o fiscal está de mau humor não é justo", o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) condenaram veementemente as mudanças concedidas pelo presidente Michel Temer [VIDEO] e afirmaram que tal medida visa apenas o favorecimento de empregadores criminosos.

  • Vale ressaltar que entre os anos de 1995 e 2015 foram libertados no Brasil aproximadamente 49.816 trabalhadores que eram mantidos em condições degradantes e análogas à escravidão. Estes dados são do Ministério do Trabalho, após análise de cada fiscalização realizada, informa o site Repórter Brasil.