Já ouvimos falar de dólar na cueca, drogas na cueca (e em helicópteros), mas algo inusitado ocorreu em Brasília. O deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), que cumpre prisão [VIDEO] em regime semiaberto, foi flagrado tentando entrar no complexo penitenciário da Papuda com dois pacotes de biscoito e um de queijo provolone dentro da cueca. Segundo a subsecretaria do sistema penitenciário, as bolachas e o queijo foram achados durante uma revista realizada após a saída temporária de fim de semana do preso. Um inquérito foi aberto para apurar o caso e Celso foi punido com 30 dias de isolamento e perda de alguns benefícios.

Celso foi preso no dia 6 de junho deste ano, após o STF ter negado seu recurso.

Sendo assim, o deputado terá que cumprir os sete anos e dois meses aos quais foi condenado por falsificação de documento público e dispensa de licitação fora das hipóteses previstas em lei enquanto era prefeito de Três Rios-RJ. Celso contratou uma construtora inabilitada em 2002 para finalizar a construção de uma creche no fim do ano de 2003, e para dispensar uma nova licitação, ele decretou estado de emergência no município. Para pagar a obra, ele teria, junto ao seu assessor, acrescentado um crédito extra em uma lei aprovada pela câmara de vereadores da cidade, embora o projeto de lei inicial não tivesse esse investimento extra.

A defesa de Jacob disse que sua intenção era viabilizar a conclusão de uma obra importante e que se encontrava inacabada. Já o deputado disse que agiu com base em recomendações técnicas e que não houve prejuízo ao município.

Um ponto a ser observado é que Celso foi prefeito de Três Rios entre os anos de 2001 e 2008, e o caso pelo qual ele é julgado ocorreu em 2002, sendo que sua primeira condenação foi no ano de 2006. Mas como a justiça brasileira reserva a seus réus inúmeras possibilidades de recorrer em outras tantas instâncias, o agora deputado só foi preso este ano.

Este caso levanta outra questão: Por que a justiça no Brasil é tão lenta? Principalmente para os políticos [VIDEO]. Existem casos que demoram 10, 15 anos tramitando em diversas instâncias, às vezes até prescrevem e nunca são julgados. A justiça em muitos casos, principalmente quando se fala de habeas corpus, ou para barrar uma manifestação, age com uma velocidade inacreditável, enquanto em outros ela se faz de desentendida e vai empurrando da forma mais cômoda e branda possível. Assim como a estátua na porta do Supremo Tribunal Federal a justiça é cega somente quando lhe convêm.