As igrejas evangélicas exercem grande influência na política nacional e candidatos à Presidência costumam pedir a bênção a líderes de denominações que contam com milhões de membros durante a corrida presidencial.

O pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo [VIDEO], é um dos pastores mais atuantes na política nacional. Recentemente, Silas fugiu do óbvio, que seria apoiar Jair Bolsonaro (PSC) e tudo indicava uma grande aproximação com o prefeito de São Paulo, João Doria, que pode ser o candidato do PSDB nas eleições do ano que vem.

Mas uma declaração de Doria [VIDEO]pode colocar tudo a perder. Nesta quinta-feira (16), Doria sancionou a Lei 16.575/17, que institui mudanças na cobrança de Impostos Sobre Serviço (ISS) na cidade de São Paulo.

Serviços de streaming, como Spotify e Netflix vão ser atingidos por essa mudança.

Um dos pontos da lei vetava a cobrança de impostos a templos. Mas o prefeito vetou, ou seja, igrejas terão que pagar o imposto. Segundo o tucano, não houve pressão por parte das igrejas. “Não faz sentido. Igrejas podem e devem pagar impostos também”, afirmou Doria.

Silas Malafaia

Silas Malafaia mora no Rio de Janeiro, onde pastoreia a igreja sede da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O imposto sancionado por Doria será cobrado apenas em São Paulo e é bem difícil que algo parecido aconteça no Rio de Janeiro. O prefeito da Cidade Maravilhosa, Marcelo Crivella (PRB), é pastor licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, de seu tio Edir Macedo.

Malafaia não se manifestou sobre a decisão tomada por Doria.

“Ele é um cara de família. Tem uma família ajustada. Isso é importante para nós. Muito pastor tem prestado atenção neste cara. E não é só pastor de São Paulo, é de todo o Brasil”, afirmou o pastor em abril deste ano.

Não se sabe se o posicionamento de Doria mudará algo na relação de ambos, mas a decisão do prefeito da maior cidade do país foi comemorada por uma associação que promove o ateísmo no Brasil, a ATEA.

Jair Bolsonaro

O deputado federal e pré-candidato não comentou o assunto, mas em outros momentos sempre deixou claro o seu posicionamento como cristão. Bolsonaro já chegou a afirmar, inclusive, que o estado brasileiro não é laico e que a minoria deve se curvar à vontade da maioria.

Bolsonaro ainda não tem presença confirmada nas eleições do ano que vem, por ainda não ter partido. Doria também é uma incógnita, já que o candidato tucano deve ser o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.