Um dos principais personagens do escândalo que recaiu sobre governo do presidente Michel Temer (PMDB) [VIDEO] desde maio deste ano, o doleiro Lúcio Funaro prestou depoimento à Justiça Federal de Brasília nesta quarta-feira, dia 31. Segundo a delação de Funaro, Temer teria recebido R$ 2,5 milhões de Propina do então grupo Bertin, hoje chamado grupo Heber, que teria realizado o repasse ao atual presidente através de doações ao PMDB em troca da liberação de verba do Fundo de Investimentos do FGTS, controlado pela Caixa Econômica Federal.

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As informações foram veiculadas pelo portal G1.

De acordo com o doleiro, a propina teria sido repassada a Temer em 2010, quando este ocupava o cargo de presidente da Câmara dos Deputados.

O atual presidente deixou o cargo para tomar o posto de vice-presidente de Dilma Rousseff (PT) em 2011, assumindo a presidência da República após o impeachment da petista ,em 2016.

Segundo Funaro, a verba paga pelo grupo Bertin seria relacionaa à investimentos na área de energia, e o esquema de propina teria contado com participação de Moreira Franco, atual secretário-geral da Presidência, que na época era vice-presidente do setor de Fundos e Loterias da Caixa, orgão responsável pela verba do Fundo de Investimentos do FGTS.

Ainda de acordo com Funaro, o ex-presidente da Câmara dos Deputados, atualmente detido, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também teria participado do esquema. Segundo o doleiro, o repasse da propina teria sido feito pelo empresário Natalino Bertin através de doações de campanha ao PMDB.

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Funaro afirma que o deputado Cândido Vaccarezza (Avante-SP, na época filiado ao PT) também teria sido beneficiado do esquema, juntamente com si próprio e com Cunha.

Segundo o doleiro, Cunha teria recebido entre R$ 1 e R$ 2 milhões, e Vaccarezza teria sido beneficiado com uma quantia em torno de R$ 1 a R$ 1,5 milhão.

Assessoria de Temer e defesa de Cunha reagem contra Funaro: “Mentiroso contumaz”

Por meio de nota, assessoria da Presidência negou que Temer tenha recebido a quantia, afirmando que Funaro [VIDEO] é “um delator que já mentiu diversas vezes à Justiça”. A defesa do ex-deputado Eduardo Cunha também atacou o doleiro, negando as afirmações e afirmando que Funaro “é um delinquente assumido, mentiroso contumaz”. A defesa de Cunha também afirmou que as acusações serão “integralmente rebatidas” em depoimento do ex-deputado.

Atualmente responsável pelos negócios da família Bertin, o grupo Heber informou que não irá se pronunciar sobre as acusações apresentadas por Lúcio Funaro.

Novas acusações voltam a assombrar popularidade de Temer

Depois de ter obtido uma importante vitória na Câmara na última semana, quando conseguiu os votos necessários para arquivar a segunda denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República contra si, o presidente Michel Temer volta a ver seu nome ser estampada na mídia de forma negativa.

Com popularidade registrada em apenas 3% de aprovação em recente pesquisa realizada pelo instituto Datafolha, Temer não vê seu cargo ameaçado por meio de processos burocráticos, mas continua enfrentando forte resistência popular. A nova delação de Funaro volta a jogar fogo em um mandato já chamuscado por escândalos diversos e acusações de corrupção.

Apesar de não representar grande perigo em termos de continuidade à sua administração, a delação pode frustrar os planos de Temer de aprovar as reformas tributária e da Previdência no Congresso. Com ano de eleição se aproximando, corre no Planalto a sensação de que o ímpeto dos deputados em ajudar Temer nas impopulares medidas irá diminuir, tendo em vista que o troco pode vir nas urnas por meio de uma população revoltada com notícias cada vez mais ultrajantes de um governo-tampão que a cada dia recebe mais más notícias nos incessantes desdobramentos da Justiça.