Logo depois de se apresentarem à Delegacia da Polícia Federal e realizarem exames de corpo de delito, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Jorge Picciani (PMDB), e os deputados estaduais Paulo Melo e Edson Albertassi, ambos do PMDB, foram levados pela Polícia Federal à cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio. A informação foi divulgada pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).

O presídio abriga os presos [VIDEO] pelo braço fluminense da operação Lava Jato, incluindo o ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), réu em 15 processos e já condenado a 72 anos de prisão.

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Alvos da Operação Cadeia Velha, que apura o pagamento de propinas por empresas de ônibus e empreiteiras, Picciani, Melo e Albertassi tiveram as prisões preventivas decretadas nesta quinta-feira pela 1ª Seção Especializada do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.

Todos os cinco desembargadores que participaram da sessão votaram pelas prisões.

O Ministério Público Federal [VIDEO]afirma que Jorge Picciani e Paulo Melo receberam valores em propinas num período de cinco anos. "Planilhas dizem para nós que, no período de 15 de julho de 2010 a 14 de julho de 2015, foram pagos da conta da Fetranspor para Picciani e Paulo Melo, milhares de reais. Desse dinheiro, parte foi paga a mando de Sérgio Cabral. Havia um projeto de poder de enriquecimento ilícito por muitos integrantes do PMDB Rio”, disse a procuradora Andréa Bayão Pereira Freire.

O MPF identificou que a indicação de Albertassi para uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE) pode ter sido uma manobra para que a organização criminosa retome espaços perdidos com os afastamentos de conselheiros determinados pelo STJ, e também uma forma de atrapalhar as investigações, ao deslocar a competência para a apuração dos fatos e tirar o caso do TRF2.

Essa é a primeira vez em que uma investigação ligada à Lava Jato é conduzida por um TRF.

A decisão do TRF2 de prender preventivamente os parlamentares será analisada pela Alerj em sessão extraordinária convocada para as 15h de amanhã. Para derrubar a decisão dos desembargadores, é necessária maioria absoluta dos votos, ou seja, 36 entre os 70 deputados estaduais. A sessão só começará quando 36 deputados tiverem registrado presença no plenário da Casa.

A oposição na Alerj reconhece que os aliados de Picciani e do governo de Luiz Fernando Pezão (PMDB) têm maioria, mas convocou protesto para pressionar os parlamentares. O ato está previsto para as 12h, em frente ao Palácio Tiradentes, sede do Legislativo do Rio, no Centro da capital.