João Doria [VIDEO] surgiu como um opção em meio ao caos político para a parcela dos paulistanos que o elegeram ainda no primeiro turno para comandar a Prefeitura da maior e mais importante capital brasileira. O empresário se intitulou "gestor" e começou uma campanha ferrenha de marketing para nacionalizar seu nome. No primeiro instante, o mar de frases feitas e fantasias de gari deram certo resultado, e Doria surgiu como um "fato novo" na política nacional.

Com o sucesso repentino, o prefeito se viu candidato a presidir o Brasil. Gostou da ideia. Porém, como num show de ilusionismo, logo aqueles que se viram encantados caíram na real.

A popularidade do "gestor" vem caindo mês após mês. O engajamento recorde nas redes sociais de Doria também não é mais o mesmo. Se fantasiar de gari não é mais tão efetivo como já fora um dia.

Para tentar mudar a imagem que está construindo, João Doria resolveu fazer algumas mudanças em sua gestão de olho no pleito presidencial de 2018. Segundo informação do UOL, o prefeito de São Paulo decidiu dar um tempo em suas inúmeras viagens. Essa era uma das principais reclamações dos paulistanos para com a gestão Doria. Um prefeito que nunca estava onde deveria estar.

Outra mudança detectada por Doria que deverá fazer em sua gestão é a atenção dada à periferia da Capital. Foi de lá que veio o diferencial para que o tucano conseguisse se eleger já no primeiro turno. E é também de lá que, segundo pesquisa Datafolha, a rejeição ao prefeito começou a crescer mais intensamente.

Uma mudança estratégica no governo também foi feita para tentar estancar o racha no PSDB paulistano. Após aparecer numa convenção municipal ao lado de Alckmin, João Doria resolveu realocar o vice-prefeito, Bruno Covas, para a secretaria da Casa Civil, uma pasta nova criada pelo prefeito exclusivamente para receber seu companheiro de chapa. Covas terá a função agora de articulista e poderes maiores, como, por exemplo, oferecer cargos a vereadores.

Segundo o UOL, essa foi uma tentativa de João Doria encerrar os boatos de que havia um racha entre ele e seu vice. Internamente no PSDB, Covas já é apontado como o futuro prefeito de São Paulo, pois acredita-se que em abril, prazo máximo para deixar um cargo do Executivo caso vá disputar a eleição de 2018, Doria deva entregar a Prefeitura. Na última quarta-feira (1º), ao discursar ao lado do prefeito em um evento, Covas disse que não há atrito entre eles e que tudo fica por conta de especulações feitas por "fofoqueiros de plantão".

Hipócrita?

Enquanto a possível candidatura à Presidência da República de João Doria se esvazia, cada vez mais aparecem pessoas especulando o nome do apresentador Luciano Huck ao cargo.

Talvez em um lapso de despeito, João Doria afirmou em um jantar na última terça-feira (31) que a eleição presidencial de 2018 não permitirá um "outsider" - figura de fora da política que não tem uma coligação partidária. Doria parece ter esquecido que ele próprio caiu de paraquedas na disputa para a Prefeitura de São Paulo, apadrinhado por Geraldo Alckmin [VIDEO].

Fio de esperança

Uma boa parte dos tucanos, principalmente os paulistas, veem em Geraldo Alckmin o Messias que irá reconstruir o PSDB. Correntes defendem que o governador de São Paulo deve ser o novo presidente nacional do partido. Ele seria o único nome interno capaz de manter uma união e evitar um racha que seria capaz de enfraquecer mais ainda a sigla na convenção nacional no dia 9 de dezembro. Alckmin já foi sondado sobre a possibilidade e não se mostrou muito propenso. Prefere manter a boa relação com ambos os candidatos que já pleitearam o cargo, Marconi Perillo (GO) e Tasso Jereissati (CE).