O juiz Sérgio Moro, reconhecido como o principal protagonista da força-tarefa de investigação da Operação Lava Jato [VIDEO] e símbolo do combate implacável contra a Corrupção, resolveu se pronunciar, nesta segunda-feira (27), em relação aos rumos da maior operação de combate à corrupção na história contemporânea do País e considerada uma das maiores operações já deflagradas em todo o mundo.

Vale ressaltar que o magistrado paranaense é o juiz titular da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná. Nesta segunda-feira, o juiz participou de um evento conduzida pela revista "Veja" e portal de noticias "UOL".

Juiz se manifesta sobre condução da Lava Jato

O juiz Sérgio Moro se pronunciou a respeito de sua própria condução dos trabalhos inerentes à força-tarefa da Operação Lava Jato. Moro foi contundente ao afirmar que não cometeu equívocos durante a condução dos processos abertos no âmbito da Operação Lava Jato. O juiz aponta que, de modo sincero, "não lhe ocorreu nada (erro cometido) muito significativo que ele faria diferente".

Ao ser questionado durante participação no evento a respeito da divulgação de áudios envolvendo o ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e a ex-presidente Dilma Rousseff em meados do mês de março de 2016, se teria sido um equívoco de sua parte, Sérgio Moro foi taxativo ao afirmar que "não caberia ao Poder Judiciário ser guardião de segredos sombrios". Vale recordar que a divulgação dos áudios captados envolvendo Lula e Dilma ocorreram justamente um dia antes da posse do ex-mandatário como ministro da Casa Civil, durante o mandato da petista.

O propósito da posse de Lula seria a tentativa de o ex-presidente angariar o foro privilegiado e, dessa forma, as acusações contra ele sairiam das mãos do juiz federal Sérgio Moro, o que acarretaria que os processos fossem direcionados ao Supremo Tribunal Federal (STF) [VIDEO]. Entretanto, a posse de Lula acabou sendo suspensa pela Justiça. Porém, o juiz Sérgio Moro reconheceu que a divulgação dos áudios captados podem ser consideradas "controversas" e que ele não esperava tanto celeuma, embora, fosse algo extremamente necessário, conforme a própria exigência da lei em vigor. Moro ressaltou que o "conteúdo deveria vir a público, já que existia um diálogo que havia interesse público relacionado à sua divulgação".

Sérgio Moro ponderou que, no entanto, o combate à corrupção deve ser um dos principais temas da próxima eleição presidencial no ano que vem. Ele acredita que a agenda que se refere ao combate à corrupção é de alta relevância e deve sim dominar os debates entre os candidatos à Presidência da República. O juiz alerta, entretanto, que "o que pode levar a retrocessos e não irmos adiante".