O juiz Sérgio Moro, responsável pela condução dos trabalhos de investigação da força-tarefa da Operação Lava Jato, considerada a maior operação de combate à Corrupção na história contemporânea do país e uma das maiores do mundo, se pronunciou com uma determinação expressa de autorização à Polícia Federal, em se tratando aos desdobramentos das apurações sobre a realização de palestras dadas pelo ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, num período em que compreendia os anos de 2011 e 2015, em países da África, Américas Latina e Central. Moro é o juiz titular em primeira instância, da décima terceira Vara Criminal da Justiça Federal de Curitiba, no estado do Paraná.

Fortes suspeitas recaem sobre as supostas palestras

De acordo com as investigações da força-tarefa da Operação Lava Jato, as palestras supostamente realizadas e atribuídas ao ex-presidente Lula teriam sido pagas através de dinheiro proveniente dos cofres públicos, no mega escândalo de corrupção da Petrobras. Os valores teriam sido obtidos por meio da empreiteira Odebrecht. Os valores teriam sido pagos à empresa de Lula que cuidava da realização de palestras; a LILS Palestras, Eventos e Publicações, Essa companhia supracitada foi aberta durante o ano de 2011. Procuradores federais da Lava Jato suspeitam de que o principal motivo para que fossem concretizadas essas palestras, tinham como "pano de fundo" a ocultação de valores oriundos de propinas.

Os investigadores federais apuram que a empresa de Lula teria recebido diretamente a quantia equivalente a mais de R$ 9 milhões.

Todo esse dinheiro teria sido angariado a partir de seis empresas envolvidas com a realização de cartéis de corrupção, que permearam a "sangria" dos cofres públicos da maior estatal brasileira, a Petrobras. Além disso, haveria pagamentos efetuados a partir de outras companhias, de forma indireta.

A empresa de palestras de Lula já teria movimentado, entre os anos de 2011 e 2015, mais de R$ 52,3 milhões. Foram angariados cerca de R$ 27 milhões provenientes das empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção, sendo que outros R$ 25,2 milhões foram recebidos através de débitos.O Ministério Publico Federal concordou com a solicitação da Polícia Federal, em relação à instrução de um inquérito policial que fosse instaurado para que fossem investigados crimes nessas transações, como por exemplo, com referência à prática de lavagem de dinheiro e através de pagamentos indevidos à empresa do ex-presidente da República. O juiz Sérgio Moro concordou com a liberação desse processo de investigação, com referência à utilização de provas e elementos probatórios dos autos, o que pode culminar na apresentação de uma nova denúncia contra Lula.

Defesa de manifesta

Os advogados do ex-presidente Lula afirmaram que todas as palestras foram realizadas e pagas com as devidas emissões de notas fiscais, além de todos os pagamentos de impostos. O ex-mandatário já foi condenado no caso do apartamento tríplex do Guarujá a mais de nove anos e meio de prisão, por determinação do juiz Sérgio Moro. Lula aguarda a decisão a ser proferida em segunda instância, no Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF4), em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.